Quando for velho quero ser um velho sábio, que não seja chato”, disse ele, fazendo uma pausa enquanto o garçom colocava diante dele um prato de aspargos e alcachofra e servia o Tavel. Hemingway provou o vinho e assentiu com a cabeça para o garçom. “Gostaria de ver todos os novos lutadores, cavalos, balés, ciclistas, damas, toureiros, pintores, aviões, filhos da puta, personagens de cafés, grandes putas internacionais, restaurantes, anos de vinho, notícias, e nunca mais ter de escrever uma linha sobre nada disso”, disse ele. “Gostaria de escrever muitas cartas para meus amigos, e receber cartas de volta. Gostaria de fazer amor bem até os 85, como Clemenceau. E o que gostaria de ser não é Bernie Baruch. Não sentaria em bancos de praça, apesar de poder caminhar no parque de vez em quando para dar de comer aos pombos, e também não teria uma barba comprida, para que houvesse um velho que não fosse parecido com Shaw”. Ele parou e passou as costas da mão na barba, olhando para o salão. “Nunca conheci o senhor Shaw”, disse ele. “Também nunca fui às cataratas do Niágara. De qualquer modo, gostaria de correr de charrete. Não dá para ser um dos melhores nesse esporte se você não tiver mais de 75 anos. Aí eu poderia arrumar um time jovem, talvez, como o senhor Mach. Só que eu não sinalizaria com um programa – para quebrar o padrão. Não decidi com o que sinalizaria. E, quando tudo se acabar, serei o cadáver mais lindo desde Pretty Boy Floyd. Só os idiotas se preocupam em salvar a alma. Quem diabos deveria se preocupar em salvar a alma quando o dever do homem é perdê-la de forma inteligente, da maneira como você venderia uma posição que está defendendo, se não consegue mantê-la, tão caro quanto possível, tentando fazer dessa posição a mais cara jamais vendida. Não é difícil morrer.” Ele abriu a boca e riu, primeiro sem som, depois alto. “Chega de preocupações”, disse ele. Com a mão, ele pegou um aspargo grande e olhou para ele sem entusiasmo. “É preciso ser um homem muito bom para fazer sentido quando se está morrendo”, disse ele.
VICENTE DE PERCIA - NOTÍCIAS ATUAIS, CRÍTICAS,LITERATURA,TEATRO,ARTES PLÁSTICAS, MÚSICA, CINEMA.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
sábado, 25 de julho de 2015
CONTRADIÇÕES
Cada período histórico elabora uma visão particular de mundo. Quando se trata de algo formal, sistemático e que estrutura a própria sociedade, podemos chamar essa visão de ideologia. As manifestações culturais e artísticas escapam à rigidez dos enquadramentos ideológicos. No entanto, artistas e intelectuais compartilham formas e métodos de captar os movimentos da atualidade, mesmo ao investigar o passado. Raymond Williams chamou de “estrutura de sentimento” esse modo dinâmico de perceber o mundo pelas artes. O conceito de Williams guarda semelhanças importantes com a noção de “consciência” de Antonio Candido, formulada no ensaio “Literatura e subdesenvolvimento”.
Na atual globalização, o Brasil mantém firme na ideologia da modernização conservadora, concebida no século XIX e que sobrevive aos mais distintos ocupantes do poder. Não é o mesmo caminho da modernidade, com emancipação e igualdade. Os brasileiros ainda tentam superar, pelo liberalismo, o que pensam ser o atraso nacional. Para Raymundo Faoro, a modernização é a grande questão nacional do Brasil. O contraponto a essa ideologia aparece nas “estruturas de sentimento” que, por meio das artes, dão uma visão mais apurada da atualidade e captam as oscilações do presente. Movimentos estes que demoram a ser percebidos e aparecem em romances, músicas e filmes.
Antonio Candido identificou três momentos históricos da consciência brasileira. O nascimento do Brasil, após a independência em 1822, possibilitou o surgimento de uma “consciência amena do atraso” para dar suporte à idéia de “país novo”, recém separado de Portugal. Os autores românticos se empenharam em elaborar um passado patriótico e esperançoso em relação ao futuro. A figura do índio predominava em romances e poemas, em detrimento do negro que era proscrito na sociedade imperial e escravista. Era uma base simbólica para criar uma nação sem negros. Na Europa, ocorria movimento similar de criação de representações históricas por meio da literatura.
Nos anos 1920 e 1930, emergiu uma segunda consciência. A literatura regionalista do Nordeste (Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, José Lins do Rego) e o ensaísmo social reconhecem a complexidade do atraso no Brasil. Na visão de Sérgio Buarque de Holanda, tratava-se de conhecer a “herança rural” e o arcaísmo que travam a nação e devem ser superados. Para Gilberto Freyre, a sociedade se desenvolveria pela miscigenação racial, gerando “democracia social”. A aproximação da literatura e do ensaio era grande, a ponto de o autor de Casa Grande & Senzala falar da necessidade de “introspecção proustiana” para quem fosse analisar a família patriarcal brasileira.
Os anos 1950, após a Segunda Guerra Mundial, trouxeram a “consciência dilacerada do subdesenvolvimento”. Trata-se da formulação de uma identidade que rendeu bons frutos na política e nas artes. Autores como Guimarães Rosa e Juan Rulfo ultrapassam o naturalismo do romance social de décadas anteriores e alcançam uma perspectiva latino-americana. Coincidem com as obras regionalistas/universais as grandes interpretações do período. Celso Furtado teorizou o subdesenvolvimento no final daquela década, enfatizando as relações dos países centrais do capitalismo e nações periféricas. Nestas, lançou-se o ideário da possível ultrapassagem do atraso na América Latina.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Lei de proteção cultural ameaça esvaziar museus da Alemanha
Projeto que prevê restrições a comércio internacional de objetos de arte gera pânico no setor. Georg Baselitz retira seus quadros dos museus. Gerhard Richter fala em atentado à liberdade e pode seguir exemplo.Sob fortes críticas, a ministra alemã da Cultura, Monika Grütters, apresentou nesta quarta-feira (15/07), em Berlim, o projeto de uma lei para proteção do patrimônio cultural nacional.
Ainda em forma provisória e sujeita a aprovação pelo gabinete federal, a regulamentação inclui a implementação, na legislação alemã, da diretriz da União Europeia pela defesa do patrimônio cultural de maio de 2014, assim como da convenção das Nações Unidas relativa ao assunto. Segundo Grütters, a meta principal é impedir o êxodo de objetos de arte para fora do país, inclusive colocando os acervos museológicos do país sob "proteção coletiva contra a exportação". No texto se define pela primeira vez, de forma vinculativa, o que constitui "patrimônio cultural nacional" – decisão que atualmente cabe, em primeira linha, a comissões estaduais.
Desde seu anúncio, há algumas semanas, o projeto de lei vem desencadeando atritos entre o governo federal e o setor de comércio de arte. Galeristas, colecionadores, marchands, leiloeiros e artistas acusam Berlim de pretender obstruir seriamente o comércio de arte transnacional.
A ministra da Cultura assegurou que, ao apresentar em Berlim o texto – que ainda passará passar por várias instâncias de controle –, ela quer trazer mais objetividade ao debate. Além disso, teriam sido escutados representantes do setor em todas as fases da discussão da lei. E acrescentou, num adendo mais revelador do que tranquilizador: "Proteção, a meu ver, não significa desapropriação."
Tiro pela culatra
O temor da desapropriação é, justamente, o motivo central da atual avalanche de críticas por parte dos que vivem da arte na Alemanha. O pintor Georg Baselitz foi o primeiro a dar passos concretos diante da aparente ameaça à sua produção artística, exigindo de volta todos os seus quadros emprestados a museus nacionais. As instituições implicadas já estão se preparando para a devolução.
Mayen Beckmann, neta de Max Beckmann (1884-1950), anunciou que igualmente pretende retirar dos museus as obras do artista representante do movimento pós-expressionista Nova Objetividade. A herdeira quer evitar o que classifica como "confisco" do patrimônio familiar.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
GRAFITTE
O fantástico fica por conta da proporção. O painel traz em seu centro uma criança gigante – saída dos filmes de ficção, memória do interventor. Sentada de costas para o seu foco de brincadeira-destruição, o Grajaú, ela simplesmente está ali, como se não se importasse para o que está atrás de si. Não está para destruir, mas não se preocupará em fazê-lo, caso a interação da brincadeira caminhar para isso. Ao mesmo tempo, está sentada de frente para todas as janelas vizinhas, numa posição de abertura despreocupada, quase que inconsequente, aos olhares espectadores. Mas quem conseguir julgar, que atire a primeira pedra. Ela arranca uma casa, brinca com outra até que… o próximo passo, talvez seja enfiar na boca à la King Kong. A sensação ao se deparar com a intervenção é justo esta: ser engolido.
“A intervenção é uma metáfora do humano. A criança está ali representando isso, porque a gente passa a vida inteira assim: como criança. A gente aprende que não pode colocar o dedo na tomada, mas em compensação seguimos fazendo uma série de coisas que são extremamente danosas. E quando veio a questão da sustentabilidade, eu estava pensando no insustentável, dentro da perspectiva de que temos tratado a ideia de sustentabilidade de uma forma esquizofrênica – aquém. Nós mesmos não somos sustentáveis. O ser humano está mal preparado para lidar consigo mesmo e, ainda mais, com os outros. A presença da criança traz também a ideia de continuidade (e da nossa finitude!). Então é engraçado pensar nesta criança mexendo no urbanismo da cidade, realocando aquela casa… da atividade da criança como brincadeira versus a lógica adulta de manipulação do mundo. Gera um conflito de pensar por essas duas vias. O que de fato estamos construindo?”
terça-feira, 31 de março de 2015
CORRUPÇÃO UM MAL INCONTIDO
Como o sistema financeiro internacional converteu capital britânica no centro global de reciclagem para riqueza de políticos inescrupulosos, ditadores e crime organizado
Por George Monbiot | Tradução: Vila Vudu
A conta não fecha. Quase todos os dias, jornais e televisões inglesas estão repletos de histórias que cheiram a corrupção. Contudo, no ranking de corrupção da ONG “Transparência Internacional”, a Grã-Bretanha ocupa o 14º lugar entre 177 nações (1) – significando que estaria entre as nações mais bem geridas da Terra. Ou os 13 países que vêm antes da Grã-Bretanha são espetacularmente corruptos, ou há algo errado com esse ranking da “Transparência Internacional”.
Sim, o problema é o índice. As definições de “corrupção” de que se serve são as mais estreitas e seletivas. Nos países ricos, práticas comuns que sem dúvida poderiam ser consideradas corruptas são simplesmente excluídas; já práticas comuns em países pobres são enfatizadas.
Esta semana foi publicado um livro bastante inovador, editado por David Whyte: How Corrupt Is Britain? [Quão Corrupta é a Grã-Bretanha?] (2). Deveria ser lida por todos aqueles que acham que Grã-Bretanha merece a posição em que aparece no ranking da “Transparência Internacional”.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
OPRESSÃO
OPRESSÃO
As regras que me foram passadas
são só passado.
De belo e feio nada restou,
apenas as lembranças da saudade
enterrada.
O amigo com mácula
procura amenizar o sofrimento e
com seu rosário
dedilha os missais da sua vida.
Perpassa nessa vaga esperança
o desejo infundado de ajudar o outro.
Contudo a alma respira
igual a um molusco
que se agarra às pedras.
Basta um deslize
para ser levada pela corrente,
devorada pelo mar
O vento é uma armadilha e
se faz passar por música.
Do mesmo modo com que o amor
se transformou em ódio.
Do mesmo modo com que o sonho
se confundiu com a verdade.
Do mesmo modo com que o espelho se quebrou
ao refletir a mesma imagem.
Triste a saída do sol
para dar lugar à lua.
Os fenômenos são segredos
longe do nosso alcance,
intemporal.
São sensações incontroladas
irresistíveis como os lábios
que me tocou
no seu caminho da sedução.
Vicente de Percia
novembro de 2012
domingo, 21 de dezembro de 2014
O DESPREZO DA ARTE CLÁSSICA NO BRASIL. INOVAR NÃO É BANALIZAR.
Não há como estabelecer comparação em
termos dos chamados espetáculos clássicos no Brasil principalmente, no eixo
Rio/São Paulo tomando como exemplo alguns eventos nos espaços abertos ou em
recintos fechados em países com tradição nessa especialidade. São referenciais
adquiridos que motivam esse tipo de programação cultural. As temporadas são
sugeridas por administradores e especialistas conhecedores do assunto e não por
gente do “ramo” geralmente nomeada pelo conhecido QI (Quem Indica).
Não se adquire de um momento para o outro o hábito de apreciar sem antes
ser incentivado por estratégias motivadoras e consequentemente aplicar e usufruir da
pratica de uma metodologia específica para cada abordagem. O que se tem visto no Brasil é uma
improvisação exacerbada cercada de um diletantismo de dar inveja a qualquer
cantor iniciante do “hit pared”. É uma desconstrução negativa no qual os
valores adquiridos ao longo dos anos são descartados em face dos eufemismos e
utopias aplicados.
Os produtos culturais não são uma mera mercadoria. Existem produtores e consumidores
que fomentam a indústria cultural com sapiência. Entre o que contempla e é
contemplado temos uma mercadoria que deve ser consumida para que se tenha uma
avaliação se os fins foram alcançados.
Que sentido há em fazer alusões às
montagens ao ar livre em países como os Estados Unidos, Alemanha, França, Itália e outros que adotam essa
empreitada de popularizar o clássico. A meta é abrir possibilidades para
proporcionar ao público em geral e principalmente os que não tiveram acesso a
uma arte chamada de elitista de entrar em contato com um tipo de expressão
distinto dos seus costumes. Os bons resultados são colhidos mediante projetos
que diferenciavam a clientela alvo, dessa forma instigando a empatia do
espectador. Não se pode falar o mesmo em relação às programações esporádicas e
festivais implantados com suposta finalidade de permitir o acesso dos
“excluídos”.
Os mais significativos teatros no
mundo que acolhem as programações clássicas costumeiras ou as atuais voltadas para esse
segmento de ante mão sabem que não há lucro. É insignificante o apoio do Estado no Brasil, no
exterior a iniciativa privada é mais participativa. Bons resultados foram
registrados com os apadrinhamentos e recursos injetados na formação de
orquestras, corais, grupos de danças, teatro nas comunidades carentes na
periferia das cidades brasileiras.
O Teatro São Pedro e Municipal ambos
em São Paulo pretendem incluir compositores brasileiros contemporâneos de óperas em 2015 na sua programação. Vejamos em que isso vai dar? As “temporadas” de
óperas no Brasil optam por uma programação pequena. Não há a mínima possibilidade de se apreciar títulos diferenciados dos
já comumente encenados por falta de estrutura e competência. O mesmo ocorre em
relação aos concertos que só fogem do cotidiano quando são orquestras
estrangeiras que nos visitam. A Dell'Arte empresa cultural e de entretenimento fundada em 1982 pela empresária Myrian Dauelsberg e sediada no Rio de Janeiro é sem dúvida a responsável pela excelência de eventos clássicos,
O sucateamento do Theatro Municipal do Rio de Janeiro em locações ou
empréstimos para todos os tipos de comemorações é trágico e demonstra a
desqualificação dos seus diretores. Por décadas acolheu o baile de gala do
carnaval da cidade Rio de Janeiro não se sabe como a sua arquitetura não desabou. A entrada dos teatros sem exceção em dia de função é tomada
por todos os tipos de ambulantes, cambistas e pedintes. Calçadas são tomadas de
lixo. A direção ou a prefeitura jamais
coibiu essa bandalha.
São válidas que essas programações
culturais fujam dos espaços tradicionais e possam trazer possibilidades de emprego
e fomentar o turismo. Nesse último item para se obter sucesso torna-se
necessário no mínimo uma terceira edição do projeto. Fácil citar as montagens de
balé de New York, a ópera em Sidney, a filarmônica de Berlim, o festival de
Nantes, os concertos ao ar livre na Áustria etc... Deve-se ressaltar que tudo é feito com muito
comprometimento e envolve a contratação de bons profissionais em todos os seus
segmentos e etapas.
O conhecimento e manejo da arte
possuem peso relevante para se alcançar o sucesso. Não dá para citar os renomados eventos ao
redor do mundo como motivação para inseri-los de base entre-nos ou para
salvaguardar erros realizados com frequência nos poucos conceituados teatros no
Brasil. O que temos visto é um amadorismo que só serve para destruir o bom
padrão de décadas cultuado com esmero e competência.Rotular ou criar títulos
contestadores como: “Pop”, “pós-moderno” etc não dá nenhuma legitimidade. O projeto “Aquário” do jornal“ O
Globo” é um dos raros eventos que atrai o grande público propiciando uma
iniciação na esfera da música clássica.
Na ilusão de que há um “novo público” interessado
- o mesmo que clica seus celulares e máquinas fotográficas e fica
robotizado e disperso sem a mínima atenção nos espetáculos é engano. Afinal
esse público tem uma escola deficiente, está automatizado perante os aparelhos
manuseados e no seu currículo escolar não há a disciplina musical (como antes)
que motive o gosto e consequentemente a compreensão da música. Os sucessivos
governos não conseguem despertar o senso crítico e gerar espectadores
interessados, Não existe um planejamento educativo em longo prazo . A maioria dos
restaurantes e bares das cidades substituiu a música em geral pelo aparelho de
TV. O estrago dessa apatia reflete a falta de um direcionamento correto no
sistema educacional. Isso explica em parte a falha no comportamento social ao
se verem diante do desconhecido.
É primário dar como exemplo alguns
acertos em montagens bissextas. Nas últimas décadas
as temporadas têm sido obsoletas; cenografia, iluminação e figurinos
paupérrimos ou fora do contexto. Um declínio lamentável, pois o Rio de Janeiro
já teve central de produção técnica e grandes nomes internacionais da dança ativos e se tornaram professores escolhendo essa cidade não só para viver como
profissionais ensinando padrões técnicos e interpretativos das mais renomadas
companhias de dança do mundo.
A ópera teve exemplos imprescindíveis de fora para
dentro. O Rio de Janeiro já sediou um dos mais importantes concursos
internacional de canto lírico com adesão de um grande público e, por
conseguinte fomentando o gosto pelo bel canto. Hoje apresenta uma temporada minguada e
irrelevante. Uma repetição irritante e sem imaginação.
O aspecto inovador não é o fato de
apresentar o “novo” e sim utilizar-se de todos os conhecimentos já adquiridos e
repassá-los. Esses mestres imigrantes trouxeram na sua bagagem a escolha concernente
às obras escolhidas, autores, diretores e artistas enfim, todos os componentes
necessários. Para ressaltar a complexidade de um espetáculo é
preciso ter a consciência de que se lida com gerações diversas entre elas a dos
mais jovens, ou seja, a geração Z na porta de entrada e totalmente dependente
da tecnologia de massa. Destinados e propensos a divulgarem seu subjetivismo,
suas “ideias” e em parte menosprezar os conteúdos das múltiplas culturas. É um desterritorizar sem finalidade,
tendo como praxe largar os conteúdos formativos existentes. São tribos sociais
sem lastros coesos a consumir de tudo e ainda não definidos para dizer por que
vieram. No caso especifico, talvez, a
intenção de burlar o sistema ou pelo menos preconizar um alarde em face da
confusa heterogeneidade sócio cultural vigente.
Há um desiquilíbrio qualitativo na
arte em todos os níveis e
mais comum entre-nos que a cada ano se acentua e
dificulta o manuseio do senso-crítico. Afasta os que possuem uma bagagem
cultural, pois não há mais acréscimo. Alguns insistem em contribuir prestigiando
com suas presenças e dando informações aos curiosos. Nada contra inovar. Formar
o público sem ter por obrigatoriedade alijar os que têm gostos duvidosos. Estabelecer
a comparação, o diálogo, à discussão, descartar a improvisação são regras a
serem seguidas. O imediatismo é próprio daqueles que não querem se confrontar
os que continuam presos à tentativa de criar um “novo” sistema e, por
conseguinte fazer uso do descompromisso passando por cima de tudo e de todos
como se fosse uma máquina destrutiva.
Reiterando: - querer trazer mudanças para
marcar presença e conseguir verbas sem antes ter criado um projeto embasado é
uma medida delapidadora. Outro aspecto importante é educar o público dando-lhe
conhecimento de como interagir diante das influências da música clássica e como
se comportar para usufruir de uma oportunidade que somara positivamente na sua
formação. Proibir os irritantes celulares, máquinas fotográficas, crianças de colo chorando, pessoas comendo na hora do espetáculo, entrando depois da cena aberta
é demonstrar a preocupação de compartilhar com o bem estar do todos
Tem sido de praxe a contratação de
artistas estrangeiros sem a qualificação devida, a maioria não sinalizam para as
exigências e perspectivas de informações desejadas. O valor comparativo é
básico para o aprimoramento do conhecimento. Um dos bons exemplos é o Concurso Internacional
BNDES de piano do Rio de Janeiro que está na sua IV edição em 2014. Reúne participantes de vários países com suas escolas diferentes. Os ingressos são gratuitos e o público corresponde a esse chamamento indo ao encontro e às
normas apresentadas com satisfação.
Não ser elitista é não escancarar as
portas para “realizações” que não valorizem a arte como um todo e não complete o
próprio homem. Existem sim grandes diferenças
no ato de criar e gerenciar a Arte.
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