domingo, 2 de fevereiro de 2014

Riga é Capital Europeia da Cultura em 2014

Ser central cultural da UE é boa oportunidade de chamar a atenção para si. A capital da Letônia está satisfeita com o interesse dos visitantes, mas, acima de tudo, traz uma programação voltada para a população local.
Um povo musical
Na Letônia, a cultura sempre esteve ligada à música: os letões gostam de cantar. "Cantamos do berço ao túmulo", em qualquer época do ano e há muitas gerações, diz Muhka. "Afinal, nós éramos lavradores, primeiro para os soberanos alemães, depois para nós mesmos." E, como é sabido, o canto costuma ajudar no trabalho braçal.
E não somente nele. Na época da ocupação soviética, a identidade nacional era fortalecida nas festas populares em que se cantavam principalmente dainas, canções folclóricas letãs. Anna Muhka lembra que essas festas deram até origem à assim chamada "Revolução Cantante".
Em meados de 2014, 20 mil participantes de quase 90 países vão encher as praças e ruas da capital com seu canto, na competição coral World Choir Games. Além disso, durante todo o ano uma série de concertos trará estrelas da música mundial naturais de Riga, como o regente Mariss Jansons, a meio-soprano Elina Garanča ou o violinista Gidon Kremer.
E já no fim de semana de abertura em janeiro, a Ópera Nacional da Letônia estreia uma montagem multimídia de Rienzi, de Richard Wagner. O gênio musical alemão iniciou a composição da ópera durante seu período como mestre de capela em Riga, entre 1837 e 1839.

sábado, 18 de janeiro de 2014

INVESTIGAÇÃO


Nos EUA, fundações e think-tanks conservadores recompensam, quase 1 bilhão de dólares ao ano, teóricos que negam mudanças climáticas
A investigação do sociólogo norte-americano Robert Brulle, citada há dias no Le Monde, foi publicada na última edição da revista Climatic Change. Brulle tem estudado a fundo o que chama de “contramovimento sobre as alterações climáticas” nas últimas décadas e identificou 91 organizações com intervenção sistemática no espaço público no sentido de promover o ceticismo sobre as alterações climáticas e impedir mudanças políticas que as combatam.
Entre 2003 e 2010, este investigador calcula que tenham sido injetados 900 milhões de dólares todos os anos por parte de 140 fundações filantrópicas conservadoras, incluindo muitas pertencentes às grandes famílias da indústria do petróleo, minas e do setor financeiro. Em primeiro plano, pelo menos até 2007, estavam as Fundações Koch e ExxonMobil.Mas a partir daí as contribuições públicas destas organizações encontram-se dissimuladas no Donors Trust e Donors Capital, duas entidades com a mesma morada que passaram a agrupar os donativos daquelas fundações para os redistribuir depois sem a mesma transparência. Do ponto de vista dos investigadores, estas duas entidades “são uma caixa negra” envolta em secretismo, mas Brulle calcula que representava em 2003 cerca de 3% do total de doações a este contramovimento, disparando em 2009 para cerca de 25% do total.
“Este é um movimento político muito bem organizado que abarca diversas componentes, sem grande coordenação mas seguindo a mesma linha. Vemos organizações que se concentram no desenvolvimento de ideias, como os think tanks, grupos de media, publicidade, actividades educativas nas universidades”, explicou Robert Brulle em entrevista à estação pública norteamericana PBS.
Brulle situa este contramovimento na órbita do movimento conservador, ao qual se associou no fim dos anos 80 para se tornar num dos seus grandes temas já neste século.
Para Brulle, assistimos à combinação das fundações filantrópicas da indústria e dos conservadores. “O que eles fizeram foi tomar emprestadas muitas das estratégias e táticas usadas pela indústria tabaqueira para impedir a ação sobre os efeitos do tabagismo para a saúde”, acrescenta o sociólogo da Drexel University de Filadélfia. “Eles usam as mesmas organizações e as mesmas táticas para semear dúvidas sobre se as alterações climáticas serão um problema ambiental sério e verdadeiro”, tal como antes fizeram acerca da ligação entre o tabagismo e o cancro.
“Este movimento teve um verdadeiro impacto político e ecológico no fracasso da ação mundial nesta área. Não creio que tenha sido a única causa que nos impediu de agir, mas julgo que tem sido uma causa importante do atraso das ações para combater as alterações climáticas”, prossegue Robert Brulle.
Este estudo de Robert Brulle é a primeira de três partes de um trabalho mais ambicioso. O sociólogo quer estudar também o financiamento das organizações ecologistas e a seguir fazer a comparação entre os dois movimentos. Para já, Brulle diz que embora o movimento ecologista tenha uma capacidade maior de recolha de fundos do que os céticos das elterações climáticas, a diferença está na forma como gasta esse dinheiro.
Os ambientalistas “procuram gastar o dinheiro no desenvolvimento de soluções para as alterações climáticas, como apoiar a indústria de painéis solares na China, assegurar que toda a gente tem um forno solar na India para reduzir as emissões de CO2, e outras coisas do mesmo género. Raramente gastam dinheiro em processos políticos ou culturais”, que é o grande alvo das despesas do contramovimento dos céticos do clima,ou seja, a grande diferença encontrada por Brulle é que “enquanto um movimento realmente tenta desenvolver soluções tecnológicas no terreno, o outro está empenhado na ação política para atrasar qualquer tipo de ação…”.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

INSTRUMENTO QUE DA VINCI INVENTOU É CONSTRUÍDO.

O pianista polonês Slawomir Zubrzycki trouxe à vida a

 "viola organista", 500 anos depois do desenho feito por

O instrumento foi construído por Zubrzycki com base nas anotações de Da Vinci no Codex Atlanticus, uma coleção de 12 manuscritos com ideias que iam de máquinas voadoras e armas à instrumentos musicais.
O instrumento tem características do Cravo, do Órgão e da Viola da Gamba, foi tocado a primeira vez na última segunda feira (18/11).
Apesar da sua semelhança com um piano de armário comum, a grande diferença está em seu interior: as 61 cordas não são tocadas por pequenos martelos, e sim por 4 rodas giratórias revestidas de crinas de cavalo, como as usadas nos arcos de violino e violoncelo.Leonardo da Vinci.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

DESCRECIMENTO

Movimento não é saudosista, nem anticivilizatório. Mas sustenta: sem rever padrões de consumo e produção, “progresso” resultará em desigualdade e devastação
Por Alan Bocato-Franco
Pouco frequente, ainda, no Brasil, um debate tomou corpo e expandiu-se rapidamente nos últimos anos, em paralelo ao desconforto com o capitalismo e seus impasses. Trata-se da ideia de “decrescimento”. “Outras Palavras” abordou-o em diversos textos, no passado — mas deu-lhe destaque especial em 10 de outubro. Um artigo do cientista político catalão Vicenç Navarro criticava “algumas teorias” do decrescimento. Em sua opinião, elas acabam reduzindo-se a um ambientalismo elitista e antissocial, ao sugerirem, diante de países em crise, a continuação das políticas de “austeridade”, que geram mais desemprego e desindustrialização.
O artigo de Navarro gerou importante polêmica,O resultado foi melhor que a encomenda. Muito mais que polemizar com Navarro — com quem, aliás, parece compartilhar pontos de vista – um importante panorama sobre a origem, sentido e história das teorias do “decrescimento”.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

HORA DE RELER CAMUS



Estado de Minas: 25/08/2013 - Afonso Romano de Santanna


Pena que não guardei aquele trabalho de estágio sobre A peste, de Albert Camus! Não que fosse algo a ser salvo, mas poderia voltar aos tempos em que a Faculdade de Filosofia funcionava nos três últimos andares do Edifício Acaiaca. Veria as anotações do monsieur Sonal e meu esforço para apreender o pensamento do escritor. Camus havia morrido uns dois anos antes, em 1960, num desastre de carro. Encontram no seu bolso um bilhete de trem para Paris. Misteriosamente, ele decidiu, no último momento, viajar de carro com seu editor, Michel Gallimard. Ambos morreram ali, em Villabrevin, quando o pneu estourou e foram jogados contra uma árvore.
Agora celebra-se o centenário de Albert Camus. Não apenas volto às aulas de francês, e, lembrando-me de Consuelo, Melânia, Ruth, Marcos, Heloísa e Ana Maria, vou me indagando: où sont les neiges d’antam? Regressando ao passado (que não passa e sempre me trespassa), vejo-me, de repente, diante da sepultura de Camus, em Lourmarin.
Deu-se que em 1981 fui residir em Aix-en-Provence para lecionar literatura brasileira. Num fim de semana, saí com a família vadiando de carro pelas estradas da Provence. Foi um momento de perfeição, como só se vê em filmes americanos. E passamos por Fontaine-de-Vaucluse, onde viveu Petrarca. (Não é todo dia que alguém que cresceu em Juiz de Fora pode andar onde andou Petrarca. Há que parar e beijar o chão. Coisas maravilhosas e imprevistas têm acontecido na minha vida. Num poema, até anotei que dormi no mesmo castelo de Gargonza onde Dante se abrigou, fugindo dos gibelinos.)
O carro ia serenamente por aquelas estradas, quando, na região de Luberon, vi o aviso de que era por ali o castelo onde viveu o Marquês de Sade. Claro que fomos ao castelo. Mas uma coisa chamou a minha atenção de antigo aluno de letras neolatinas: em algum lugar, vi um sinal de que em Lourmarin estava a sepultura de Albert Camus.
Não se pode evitar a morte, mas podem-se visitar alguns sepulcros enquanto é tempo. Então, tomei a direção de cemitério de Lourmarin. Esperava encontrar uma sepultura portentosa, afinal Camus havia ganhado o Prêmio Nobel e dividia com Sartre as honras de ser um filósofo imprescindível. Seu ensaio O mito de Sísifo, sobre o absurdo que tem que ser combatido com o próprio absurdo, é leitura sempre recomendável.
Pois chego lá e encontro uma sepultura pobrinha, largada, quase miserável. Devo ter alguma fotografia desse não evento. Até as filhas ficaram decepcionadas. Mas dei por cumprida minha missão.
Agora é centenário de Albert Camus. A imprensa brasileira ainda não descobriu isso, mas na França as comemorações já começaram. O ex-presidente Sarkosy tentou até levar os restos de Camus para o Pantheon, em Paris. (Na França, literatura é uma religião, e os escritores são santos.) Mas a tumba de Camus continua lá na cidade que ele escolheu para viver.
Se ele contemplou aquela natureza repousante apenas por dois anos, ali, em Lourmarin, fizeram uma exposição comemorativa que contrasta com a pobreza de sua sepultura. Edições de luxo de suas obras, os livros que dedicou aos colegas escritores, sua vida rediviva.
Camus viveu as turbulências de seu século: foi comunista e anticomunista, nasceu na Argélia, mas defendeu a política do governo francês, viveu a ocupação alemã da França e era pacifista. Casou-se duas vezes e achava o casamento antinatural. Ator de teatro, jogador de futebol, tinha aquela pose de Humphrey Bogart.
Façam o seguinte: leiam A peste, estória da cidade vítima de uma enfermidade devastadora, e vejam o que seus habitantes faziam para enfrentar essa calamidade.
Nem sempre a “peste” é tão visível. Cada época tem a “peste”que merece.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

"CONCEITOS" PARA REVALIDAR A OBRA DE ARTE


Para muitos artistas, críticos e observadores da arte o momento atual está mais voltado para a descoberta de “talentos” do que para segmentos, conteúdos embasados e  renovadores que abordem a tarefa artística em toda sua complexidade.
 Atender ao mercado é a meta atual para se chegar ao “êxito” rápido, basta obedecer e seguir os seus requisitos e  satisfazer a demanda. Esse é o novo rumo para se atingir o sucesso. 
A natureza da arte é sempre colocada em questionamento, inclusive para legitimar o artista e, consequentemente sua obra. Mediante essa situação nada mais coerente que cada um defenda o seu ponto de vista.
Vários artistas “contemporâneos” afirmam que a subjetividade na arte é  fácil de ser captada, como é o caso do artista conceitual americano Joseph Kosuth .Apesar de ele deixar claro que: “as questões da arte devem ser vistas com sutileza e complexidade” suas obras são herméticas. 
Joseph   reconhece a  genialidade de Walt Disney , no entanto o classifica como um gênio comercial e não um artista conceituado. Quanto à arte popular ele acredita que esta não estabelece o fluxo necessário para novos conhecimentos e como tal não teria como permanecer viva. Acompanhando suas obras  utiliza de palavras para o entendimento da mensagem -  A emblemática: "Uma e três cadeiras” 1965 é  exemplo disso.
    Joseph Kosut  critica o mercado de arte dos últimos 15 anos, classificando o como batedor de recordes de vendas e preços altos sem se preocupar com a qualidade. Afirma que o glamour do mercado, também aparece como um segmento que só traz malefícios . Sugere à atenção para a história afirmando, entre linhas, que ela fomentará a avaliação correta dessa vasta produção atual não a curto prazo.
   Apesar das opiniões proferidas por ele, a sua trajetória está vinculada ao constante espaço que a mídia lhe dá  e é um artista bem sucedido nas vendas da sua produção.   Cultua suas aparições como um pop-star. Não o vejo distanciado de um corporativismo que ele diz ser contrário. “Arte não é beleza” é uma das suas afirmações para atrair ouvintes e futuros colecionadores. Chama de entretimento profissional e arte decorativa tarefas artísticas que não acrescentam em nada ao nosso tempo.
 O cenário cultural atual na produção artística é difícil de ser avaliado. Não bastam frases de efeito para visualizar esse pseudo estranhamento e tentar  aproximar o espectador para uma "nova" estética, ou ruptura desejada.
O público, para muitos estudiosos, fica aprisionado  na arte conceitual e vê-se obrigado, na sua quase totalidade   a ler textos explicativos para entendê-la. Os defensores de uma arte de vanguarda de efeitos, entre eles Joseph Kosuth  afirma: "O surgimento de obras sem qualidades e valorizadas, existem cada vez mais na nossa sociedade, uma distorção, porque as pessoas com poder apenas visam o lucro e não querem elucidar qual o verdadeiro papel do artista e da arte". Enfim, cada um conta a sua história.
     Vicente de Percia

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

LIIXO DESCARTADO SERVE COMO BÔNUS

Em Pequim, metrô já pode ser pago com garrafas PET  solução que amplia, ao mesmo tempo, mobilidade urbana e reciclagem de lixo
Se o passe livre é uma realidade ainda distante nos principais centros urbanos do Brasil, do outro lado do mundo a situação é bem diferente: em Pequim, os habitantes já podem pagar suas passagens de metrô com garrafas PET. Até agora, foram instalados postos de troca nas estações de Jinsong e Shaoyaoju, mas o objetivo é levar a iniciativa a todas as paradas de metrô e aos pontos de ônibus da capital chinesa.
As estações que participam da ação sustentável receberam quatro máquinas, responsáveis por  coletar as garrafas plásticas. Nos equipamentos, cada exemplar reciclado equivale a um valor tabelado, que vai desde 15 centavos de dólar a 50 centavos da mesma moeda. Assim, com até quinze garrafas, o usuário poderá se locomover por todas as oito linhas e as 105 estações disponíveis.
Depois de coletado pelas máquinas, o material reciclável é enviado a uma central de processamento, em que o plástico assume outros fins de uso. De acordo com o portal Veoverde, a ação ainda está em fase de testes, e, se tudo der certo, os criadores têm a ambição de levar o projeto para os pontos de ônibus de todo o país.
O incentivo às viagens de transporte coletivo na capital chinesa é fundamental, uma vez que o país apresenta um dos mais preocupantes índices de poluição do mundo, causado pela atividade industrial e pelo trânsito massivo. Além disso, há mais de dois anos, o governo chinês anunciou que tem o objetivo de reciclar 70% dos resíduos produzidos no país até 2015.
Uma ação realizada nas estações de metrô do Rio de Janeiro, durante o carnaval deste ano, garantiu o passe livre das pessoas que apresentassem uma latinha de cerveja vazia nas catracas. A ação tinha por objetivo convencer os frequentadores dos blocos de rua e desfiles de carnaval a não dirigirem após o consumo da bebida alcoólica.