sábado, 8 de agosto de 2015

FRIA CONQUISTA



 Entre o mar e a terra
                                     os sóis e os planetas
                                                                            o Homem e o infinito,
existe sempre uma pergunta
que oscila em nossas mentes.

Firmando em nós
a absorvição do oxigênio pelas narinas
e a diluição dos pensamentos
na atmosfera impura.

Arrastamo-nos na ânsia causada
Pelo encalço da nova mensagem teleguiada
que nossa mente captou.

E aquiescemos inconscientemente
                                                         tão certos que estamos
                                                                               do prazer obtido.

Sobre as mais simples ramagens
que outrora desprezávamos
na volúpia do progresso,
existia o vigor da vida.
Que se refletia em sombras naturais
                                                              onde nossos corpos dormiam.
A leva da vida inquieta,
traz o conforto intranquilo,
ditado por normas comprovadas
que tolhem o despir dos pés.

Sobre as mais simples ramagens,
tão esquecidas,
tão imitadas em nossos dias,
há o relax inconsciente no móvel esperado,
                                           antevendo a fria conquista.
                                                                            Vicente de Percia
Do livro " Brasil da Silva, Mistério de Chorrar", edit/ Achiamé, RJ.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

MOSTRA INDAGATÓRIA E QUESTIONADORA


Em um dos principais paredes do edifício da Universidade Nacional Sindu pendurado uma série de fotos em preto, que, ao menor pincel com qualquer outro material, começam a desaparecer e branco. São imagens de a notícia mais importante nos últimos meses que o artista Juan Mejia Cali pintados com tinta removível. Eles não usam nome ou explicação, mas alguns são fáceis de identificar. Entre elas está a famosa cena em que o jornalista americano James Foley ajoelhado no meio do deserto com jihadi John trás, vestido de preto brandindo uma faca aparece. O trabalho de Mejia é intitulado Pentimento e quer que o visitante a refletir sobre dois fenômenos: 1) A notícia é fugaz; 2) que ao longo do tempo, o contexto em que surgiram está desaparecendo e acabam imagens como individuais que podem ser interpretadas de várias maneiras. 


Pentimento faz parte da Exposição Regional XV de Artistas direito Efémero Museum Center esquecimento, que será aberto ao público em vários edifícios da Universidade Nacional de 05 de agosto. A exposição, como o próprio nome indica gira em torno do conceito de esquecimento eo que isso implica. Revivendo o município rural de cozinha Oicata Branco Ocasião, exemplo -para usa fotografias para lembrar lugares e tradições estão sendo perdidos, enquanto que este é o meu caminho, Miguel Canal, mostra através de imagens deteriorado por fungos que até fotos e filmes têm uma data de validade. 
Os curadores, Maria Soledad Garcia e Cristina Lleras, queria mostrar um edifício do museu de memória diferente, mas não esquecido. Por isso, funciona como Pentimento e Histórias Luz Angela Lizarazo Garden, um desenho gigante com as sementes que serão expostos na praça de pós-graduação ciência edifício Humanas- vai desaparecer ao longo da exposição. Mas a proposta curatorial não é deixado sozinho sobre o assunto. 

sociedade si -explican tende a associar a verdade com a memória. Mas vários estudos científicos têm demonstrado que a relação entre os dois não é tão simples como se poderia pensar. As pessoas tendem a lembrar um evento diferente e a memória deste está mudando ao longo do tempo. Em 2000, o cientista austríaco Eric Kander ganhou o Prêmio Nobel de Medicina por suas descobertas no campo da neurobiologia mostrou que entre outras coisas que a memória envolve esquecimento. Em outras palavras, é fisicamente impossível fazer lembrar absolutamente tudo e também desempenha um papel importante na perspectiva do passado. 

Esses fenômenos aparecem uma forma ou de outra nos trabalhos da exposição. Taming rinocerontes, Oscar Ayala, se apossar de um pequeno rinoceronte estranhamente pintados no teto do Museu Casa del Escribano Real Juan de Vargas, para discutir o património cultural de Tunja e como a comunidade foi se apropriar. O desenho deste animal exótico levantou todos os tipos de histórias. Acredita-se que veio graças a uma gravura do artista alemão Albrecht Dürer, que começou a circular no século XVI, mas ninguém sabe ao certo a sua origem. 

Através de placas cheias de palavras pomposas que não dizem muito, imperfeito Juan David Laserna convida os visitantes a refletir sobre como os eventos históricos e seus protagonistas importantes são lembrados. As placas nem sempre dizem o que realmente aconteceu e ao longo do tempo tendem a perder o impacto que tiveram uma vez na sociedade. O trabalho do Laserna pode muito bem passar por originais. A mentira é revelada somente quando ler. 
E por falar em eventos históricos em Dois mais dois é igual a cinco Monica Paez recorda uma ocorrência que raramente é discutido e, embora descrita como "o grande roubo do século na Colômbia" na época. Em Outubro de 1994, um grupo de ladrões entrou nos cofres do Banco da República em Valledupar e levou 24.072.000 pesos. Pelo tamanho do assalto a banco que ele tinha que remover da circulação 2.000 ingressos, 5.000 e 10.000. Paez fez um monte antigas notas dessas denominações, mas já não têm qualquer valor monetário, no segundo andar da Faculdade de Direito e Ciências Políticas tornar-se obra de arte. 
A exposição é bastante diversificada. Nenhuma fotografia, desenho, vídeo, áudio e animação, entre outros, e é projetado para que cada visitante escolher o seu próprio caminho. Em um país onde a moda é tão longe o conceito de memória, vale a pena ir para este museu do esquecimento para refletir sobre suas implicações, seus limites e sua relação com a verdade.

GRANDE MOSTRA

Um dos maiores pintores orientalistas italianos, Ippolito Caffi, que também era patriota Risorgimento e acérrimo defensor da liberdade de Itália, e Maximiliano de Habsburgo, o primeiro governador da Lombardia e Veneto, em seguida, almirante da marinha austríaca, foram unidos por sua paixão e documentação Viagem Caffi localizado na jornada uma fonte constante de inspiração, entusiasmo e conhecimento;e pintura descritivo de lugares e eventos - tanto realistas e precisos como imaginativo e visionário - a verdadeira alma de sua arte; Massimiliano documentando tudo em Diário da escrita, onde fixa suas emoções.
Miramare Castle
Afinidades Eletivas agora chamado de volta para o Museu Histórico de Castelo de Miramare em Trieste, onde até 08 de dezembro e apresenta a exposição "Ippolito Caffi. Pinturas viajar entre Itália e do Oriente ", editado por Annalisa Scarpa. No edifício branco com vista para o promontório Trieste - onde Massimiliano iria manter a pintura comissão apenas Caffi, em 1857, para capturar o festival da noite em Veneza no dia após o casamento com Charlotte da Bélgica - mais de quarenta pinturas dos acervos da Fundação Civic Museum Veneza, durante muitos anos não expostas e parcialmente restaurado para a ocasião, irá reviver a viagem e sonhos, as invenções brilhantes e da arte cênica do pintor de Belluno.

Crimes de Stalin e Lenin

Morto historiador Robert Conquest 
Ele denunciou os crimes de Stalin e Lenin

Comunista na sua juventude, no livro "O Grande Terror", de 1968 disse aos trinta trágicos URSS: os ensaios dos espetáculos e expurgos, o Gulag e a fome induzida por Stalin

quinta-feira, 30 de julho de 2015

ASSIM FALAVA HEMINGWAY

Quando for velho quero ser um velho sábio, que não seja chato”, disse ele, fazendo uma pausa enquanto o garçom colocava diante dele um prato de aspargos e alcachofra e servia o Tavel. Hemingway provou o vinho e assentiu com a cabeça para o garçom. “Gostaria de ver todos os novos lutadores, cavalos, balés, ciclistas, damas, toureiros, pintores, aviões, filhos da puta, personagens de cafés, grandes putas internacionais, restaurantes, anos de vinho, notícias, e nunca mais ter de escrever uma linha sobre nada disso”, disse ele. “Gostaria de escrever muitas cartas para meus amigos, e receber cartas de volta. Gostaria de fazer amor bem até os 85, como Clemenceau. E o que gostaria de ser não é Bernie Baruch. Não sentaria em bancos de praça, apesar de poder caminhar no parque de vez em quando para dar de comer aos pombos, e também não teria uma barba comprida, para que houvesse um velho que não fosse parecido com Shaw”. Ele parou e passou as costas da mão na barba, olhando para o salão. “Nunca conheci o senhor Shaw”, disse ele. “Também nunca fui às cataratas do Niágara. De qualquer modo, gostaria de correr de charrete. Não dá para ser um dos melhores nesse esporte se você não tiver mais de 75 anos. Aí eu poderia arrumar um time jovem, talvez, como o senhor Mach. Só que eu não sinalizaria com um programa – para quebrar o padrão. Não decidi com o que sinalizaria. E, quando tudo se acabar, serei o cadáver mais lindo desde Pretty Boy Floyd. Só os idiotas se preocupam em salvar a alma. Quem diabos deveria se preocupar em salvar a alma quando o dever do homem é perdê-la de forma inteligente, da maneira como você venderia uma posição que está defendendo, se não consegue mantê-la, tão caro quanto possível, tentando fazer dessa posição a mais cara jamais vendida. Não é difícil morrer.” Ele abriu a boca e riu, primeiro sem som, depois alto. “Chega de preocupações”, disse ele. Com a mão, ele pegou um aspargo grande e olhou para ele sem entusiasmo. “É preciso ser um homem muito bom para fazer sentido quando se está morrendo”, disse ele.

sábado, 25 de julho de 2015

CONTRADIÇÕES

Cada período histórico elabora uma visão particular de mundo. Quando se trata de algo formal, sistemático e que estrutura a própria sociedade, podemos chamar essa visão de ideologia. As manifestações culturais e artísticas escapam à rigidez dos enquadramentos ideológicos. No entanto, artistas e intelectuais compartilham formas e métodos de captar os movimentos da atualidade, mesmo ao investigar o passado. Raymond Williams chamou de “estrutura de sentimento” esse modo dinâmico de perceber o mundo pelas artes. O conceito de Williams guarda semelhanças importantes com a noção de “consciência” de Antonio Candido, formulada no ensaio “Literatura e subdesenvolvimento”.
Na atual globalização, o Brasil mantém firme na ideologia da modernização conservadora, concebida no século XIX e que sobrevive aos mais distintos ocupantes do poder. Não é o mesmo caminho da modernidade, com emancipação e igualdade. Os brasileiros ainda tentam superar, pelo liberalismo, o que pensam ser o atraso nacional. Para Raymundo Faoro, a modernização é a grande questão nacional do Brasil. O contraponto a essa ideologia aparece nas “estruturas de sentimento” que, por meio das artes, dão uma visão mais apurada da atualidade e captam as oscilações do presente. Movimentos estes que demoram a ser percebidos e aparecem em romances, músicas e filmes.
Antonio Candido identificou três momentos históricos da consciência brasileira. O nascimento do Brasil, após a independência em 1822, possibilitou o surgimento de uma “consciência amena do atraso” para dar suporte à idéia de “país novo”, recém separado de Portugal. Os autores românticos se empenharam em elaborar um passado patriótico e esperançoso em relação ao futuro. A figura do índio predominava em romances e poemas, em detrimento do negro que era proscrito na sociedade imperial e escravista. Era uma base simbólica para criar uma nação sem negros. Na Europa, ocorria movimento similar de criação de representações históricas por meio da literatura.
Nos anos 1920 e 1930, emergiu uma segunda consciência. A literatura regionalista do Nordeste (Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, José Lins do Rego) e o ensaísmo social reconhecem a complexidade do atraso no Brasil. Na visão de Sérgio Buarque de Holanda, tratava-se de conhecer a “herança rural” e o arcaísmo que travam a nação e devem ser superados. Para Gilberto Freyre, a sociedade se desenvolveria pela miscigenação racial, gerando “democracia social”. A aproximação da literatura e do ensaio era grande, a ponto de o autor de Casa Grande & Senzala falar da necessidade de “introspecção proustiana” para quem fosse analisar a família patriarcal brasileira.
Os anos 1950, após a Segunda Guerra Mundial, trouxeram a “consciência dilacerada do subdesenvolvimento”. Trata-se da formulação de uma identidade que rendeu bons frutos na política e nas artes. Autores como Guimarães Rosa e Juan Rulfo ultrapassam o naturalismo do romance social de décadas anteriores e alcançam uma perspectiva latino-americana. Coincidem com as obras regionalistas/universais as grandes interpretações do período. Celso Furtado teorizou o subdesenvolvimento no final daquela década, enfatizando as relações dos países centrais do capitalismo e nações periféricas. Nestas, lançou-se o ideário da possível ultrapassagem do atraso na América Latina.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Lei de proteção cultural ameaça esvaziar museus da Alemanha

Projeto que prevê restrições a comércio internacional de objetos de arte gera pânico no setor. Georg Baselitz retira seus quadros dos museus. Gerhard Richter fala em atentado à liberdade e pode seguir exemplo.Sob fortes críticas, a ministra alemã da Cultura, Monika Grütters, apresentou nesta quarta-feira (15/07), em Berlim, o projeto de uma lei para proteção do patrimônio cultural nacional.
Ainda em forma provisória e sujeita a aprovação pelo gabinete federal, a regulamentação inclui a implementação, na legislação alemã, da diretriz da União Europeia pela defesa do patrimônio cultural de maio de 2014, assim como da convenção das Nações Unidas relativa ao assunto. Segundo Grütters, a meta principal é impedir o êxodo de objetos de arte para fora do país, inclusive colocando os acervos museológicos do país sob "proteção coletiva contra a exportação". No texto se define pela primeira vez, de forma vinculativa, o que constitui "patrimônio cultural nacional" – decisão que atualmente cabe, em primeira linha, a comissões estaduais.
Desde seu anúncio, há algumas semanas, o projeto de lei vem desencadeando atritos entre o governo federal e o setor de comércio de arte. Galeristas, colecionadores, marchands, leiloeiros e artistas acusam Berlim de pretender obstruir seriamente o comércio de arte transnacional.
A ministra da Cultura assegurou que, ao apresentar em Berlim o texto – que ainda passará passar por várias instâncias de controle –, ela quer trazer mais objetividade ao debate. Além disso, teriam sido escutados representantes do setor em todas as fases da discussão da lei. E acrescentou, num adendo mais revelador do que tranquilizador: "Proteção, a meu ver, não significa desapropriação."
Tiro pela culatra
O temor da desapropriação é, justamente, o motivo central da atual avalanche de críticas por parte dos que vivem da arte na Alemanha. O pintor Georg Baselitz foi o primeiro a dar passos concretos diante da aparente ameaça à sua produção artística, exigindo de volta todos os seus quadros emprestados a museus nacionais. As instituições implicadas já estão se preparando para a devolução.
Mayen Beckmann, neta de Max Beckmann (1884-1950), anunciou que igualmente pretende retirar dos museus as obras do artista representante do movimento pós-expressionista Nova Objetividade. A herdeira quer evitar o que classifica como "confisco" do patrimônio familiar.