quarta-feira, 5 de agosto de 2015

GRANDE MOSTRA

Um dos maiores pintores orientalistas italianos, Ippolito Caffi, que também era patriota Risorgimento e acérrimo defensor da liberdade de Itália, e Maximiliano de Habsburgo, o primeiro governador da Lombardia e Veneto, em seguida, almirante da marinha austríaca, foram unidos por sua paixão e documentação Viagem Caffi localizado na jornada uma fonte constante de inspiração, entusiasmo e conhecimento;e pintura descritivo de lugares e eventos - tanto realistas e precisos como imaginativo e visionário - a verdadeira alma de sua arte; Massimiliano documentando tudo em Diário da escrita, onde fixa suas emoções.
Miramare Castle
Afinidades Eletivas agora chamado de volta para o Museu Histórico de Castelo de Miramare em Trieste, onde até 08 de dezembro e apresenta a exposição "Ippolito Caffi. Pinturas viajar entre Itália e do Oriente ", editado por Annalisa Scarpa. No edifício branco com vista para o promontório Trieste - onde Massimiliano iria manter a pintura comissão apenas Caffi, em 1857, para capturar o festival da noite em Veneza no dia após o casamento com Charlotte da Bélgica - mais de quarenta pinturas dos acervos da Fundação Civic Museum Veneza, durante muitos anos não expostas e parcialmente restaurado para a ocasião, irá reviver a viagem e sonhos, as invenções brilhantes e da arte cênica do pintor de Belluno.

Crimes de Stalin e Lenin

Morto historiador Robert Conquest 
Ele denunciou os crimes de Stalin e Lenin

Comunista na sua juventude, no livro "O Grande Terror", de 1968 disse aos trinta trágicos URSS: os ensaios dos espetáculos e expurgos, o Gulag e a fome induzida por Stalin

quinta-feira, 30 de julho de 2015

ASSIM FALAVA HEMINGWAY

Quando for velho quero ser um velho sábio, que não seja chato”, disse ele, fazendo uma pausa enquanto o garçom colocava diante dele um prato de aspargos e alcachofra e servia o Tavel. Hemingway provou o vinho e assentiu com a cabeça para o garçom. “Gostaria de ver todos os novos lutadores, cavalos, balés, ciclistas, damas, toureiros, pintores, aviões, filhos da puta, personagens de cafés, grandes putas internacionais, restaurantes, anos de vinho, notícias, e nunca mais ter de escrever uma linha sobre nada disso”, disse ele. “Gostaria de escrever muitas cartas para meus amigos, e receber cartas de volta. Gostaria de fazer amor bem até os 85, como Clemenceau. E o que gostaria de ser não é Bernie Baruch. Não sentaria em bancos de praça, apesar de poder caminhar no parque de vez em quando para dar de comer aos pombos, e também não teria uma barba comprida, para que houvesse um velho que não fosse parecido com Shaw”. Ele parou e passou as costas da mão na barba, olhando para o salão. “Nunca conheci o senhor Shaw”, disse ele. “Também nunca fui às cataratas do Niágara. De qualquer modo, gostaria de correr de charrete. Não dá para ser um dos melhores nesse esporte se você não tiver mais de 75 anos. Aí eu poderia arrumar um time jovem, talvez, como o senhor Mach. Só que eu não sinalizaria com um programa – para quebrar o padrão. Não decidi com o que sinalizaria. E, quando tudo se acabar, serei o cadáver mais lindo desde Pretty Boy Floyd. Só os idiotas se preocupam em salvar a alma. Quem diabos deveria se preocupar em salvar a alma quando o dever do homem é perdê-la de forma inteligente, da maneira como você venderia uma posição que está defendendo, se não consegue mantê-la, tão caro quanto possível, tentando fazer dessa posição a mais cara jamais vendida. Não é difícil morrer.” Ele abriu a boca e riu, primeiro sem som, depois alto. “Chega de preocupações”, disse ele. Com a mão, ele pegou um aspargo grande e olhou para ele sem entusiasmo. “É preciso ser um homem muito bom para fazer sentido quando se está morrendo”, disse ele.

sábado, 25 de julho de 2015

CONTRADIÇÕES

Cada período histórico elabora uma visão particular de mundo. Quando se trata de algo formal, sistemático e que estrutura a própria sociedade, podemos chamar essa visão de ideologia. As manifestações culturais e artísticas escapam à rigidez dos enquadramentos ideológicos. No entanto, artistas e intelectuais compartilham formas e métodos de captar os movimentos da atualidade, mesmo ao investigar o passado. Raymond Williams chamou de “estrutura de sentimento” esse modo dinâmico de perceber o mundo pelas artes. O conceito de Williams guarda semelhanças importantes com a noção de “consciência” de Antonio Candido, formulada no ensaio “Literatura e subdesenvolvimento”.
Na atual globalização, o Brasil mantém firme na ideologia da modernização conservadora, concebida no século XIX e que sobrevive aos mais distintos ocupantes do poder. Não é o mesmo caminho da modernidade, com emancipação e igualdade. Os brasileiros ainda tentam superar, pelo liberalismo, o que pensam ser o atraso nacional. Para Raymundo Faoro, a modernização é a grande questão nacional do Brasil. O contraponto a essa ideologia aparece nas “estruturas de sentimento” que, por meio das artes, dão uma visão mais apurada da atualidade e captam as oscilações do presente. Movimentos estes que demoram a ser percebidos e aparecem em romances, músicas e filmes.
Antonio Candido identificou três momentos históricos da consciência brasileira. O nascimento do Brasil, após a independência em 1822, possibilitou o surgimento de uma “consciência amena do atraso” para dar suporte à idéia de “país novo”, recém separado de Portugal. Os autores românticos se empenharam em elaborar um passado patriótico e esperançoso em relação ao futuro. A figura do índio predominava em romances e poemas, em detrimento do negro que era proscrito na sociedade imperial e escravista. Era uma base simbólica para criar uma nação sem negros. Na Europa, ocorria movimento similar de criação de representações históricas por meio da literatura.
Nos anos 1920 e 1930, emergiu uma segunda consciência. A literatura regionalista do Nordeste (Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, José Lins do Rego) e o ensaísmo social reconhecem a complexidade do atraso no Brasil. Na visão de Sérgio Buarque de Holanda, tratava-se de conhecer a “herança rural” e o arcaísmo que travam a nação e devem ser superados. Para Gilberto Freyre, a sociedade se desenvolveria pela miscigenação racial, gerando “democracia social”. A aproximação da literatura e do ensaio era grande, a ponto de o autor de Casa Grande & Senzala falar da necessidade de “introspecção proustiana” para quem fosse analisar a família patriarcal brasileira.
Os anos 1950, após a Segunda Guerra Mundial, trouxeram a “consciência dilacerada do subdesenvolvimento”. Trata-se da formulação de uma identidade que rendeu bons frutos na política e nas artes. Autores como Guimarães Rosa e Juan Rulfo ultrapassam o naturalismo do romance social de décadas anteriores e alcançam uma perspectiva latino-americana. Coincidem com as obras regionalistas/universais as grandes interpretações do período. Celso Furtado teorizou o subdesenvolvimento no final daquela década, enfatizando as relações dos países centrais do capitalismo e nações periféricas. Nestas, lançou-se o ideário da possível ultrapassagem do atraso na América Latina.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Lei de proteção cultural ameaça esvaziar museus da Alemanha

Projeto que prevê restrições a comércio internacional de objetos de arte gera pânico no setor. Georg Baselitz retira seus quadros dos museus. Gerhard Richter fala em atentado à liberdade e pode seguir exemplo.Sob fortes críticas, a ministra alemã da Cultura, Monika Grütters, apresentou nesta quarta-feira (15/07), em Berlim, o projeto de uma lei para proteção do patrimônio cultural nacional.
Ainda em forma provisória e sujeita a aprovação pelo gabinete federal, a regulamentação inclui a implementação, na legislação alemã, da diretriz da União Europeia pela defesa do patrimônio cultural de maio de 2014, assim como da convenção das Nações Unidas relativa ao assunto. Segundo Grütters, a meta principal é impedir o êxodo de objetos de arte para fora do país, inclusive colocando os acervos museológicos do país sob "proteção coletiva contra a exportação". No texto se define pela primeira vez, de forma vinculativa, o que constitui "patrimônio cultural nacional" – decisão que atualmente cabe, em primeira linha, a comissões estaduais.
Desde seu anúncio, há algumas semanas, o projeto de lei vem desencadeando atritos entre o governo federal e o setor de comércio de arte. Galeristas, colecionadores, marchands, leiloeiros e artistas acusam Berlim de pretender obstruir seriamente o comércio de arte transnacional.
A ministra da Cultura assegurou que, ao apresentar em Berlim o texto – que ainda passará passar por várias instâncias de controle –, ela quer trazer mais objetividade ao debate. Além disso, teriam sido escutados representantes do setor em todas as fases da discussão da lei. E acrescentou, num adendo mais revelador do que tranquilizador: "Proteção, a meu ver, não significa desapropriação."
Tiro pela culatra
O temor da desapropriação é, justamente, o motivo central da atual avalanche de críticas por parte dos que vivem da arte na Alemanha. O pintor Georg Baselitz foi o primeiro a dar passos concretos diante da aparente ameaça à sua produção artística, exigindo de volta todos os seus quadros emprestados a museus nacionais. As instituições implicadas já estão se preparando para a devolução.
Mayen Beckmann, neta de Max Beckmann (1884-1950), anunciou que igualmente pretende retirar dos museus as obras do artista representante do movimento pós-expressionista Nova Objetividade. A herdeira quer evitar o que classifica como "confisco" do patrimônio familiar.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

GRAFITTE

O fantástico fica por conta da proporção. O painel traz em seu centro uma criança gigante – saída dos filmes de ficção, memória do interventor. Sentada de costas para o seu foco de brincadeira-destruição, o Grajaú, ela simplesmente está ali, como se não se importasse para o que está atrás de si. Não está para destruir, mas não se preocupará em fazê-lo, caso a interação da brincadeira caminhar para isso. Ao mesmo tempo, está sentada de frente para todas as janelas vizinhas, numa posição de abertura despreocupada, quase que inconsequente, aos olhares espectadores. Mas quem conseguir julgar, que atire a primeira pedra. Ela arranca uma casa, brinca com outra até que… o próximo passo, talvez seja enfiar na boca à la King Kong. A sensação ao se deparar com a intervenção é justo esta: ser engolido.
“A intervenção é uma metáfora do humano. A criança está ali representando isso, porque a gente passa a vida inteira assim: como criança. A gente aprende que não pode colocar o dedo na tomada, mas em compensação seguimos fazendo uma série de coisas que são extremamente danosas. E quando veio a questão da sustentabilidade, eu estava pensando no insustentável, dentro da perspectiva de que temos tratado a ideia de sustentabilidade de uma forma esquizofrênica – aquém. Nós mesmos não somos sustentáveis. O ser humano está mal preparado para lidar consigo mesmo e, ainda mais, com os outros. A presença da criança traz também a ideia de continuidade (e da nossa finitude!). Então é engraçado pensar nesta criança mexendo no urbanismo da cidade, realocando aquela casa… da atividade da criança como brincadeira versus a lógica adulta de manipulação do mundo. Gera um conflito de pensar por essas duas vias. O que de fato estamos construindo?”

terça-feira, 31 de março de 2015

CORRUPÇÃO UM MAL INCONTIDO

Como o sistema financeiro internacional converteu capital britânica no centro global de reciclagem para riqueza de políticos inescrupulosos, ditadores e crime organizado
Por George Monbiot | Tradução: Vila Vudu
A conta não fecha. Quase todos os dias, jornais e televisões inglesas estão repletos de histórias que cheiram a corrupção. Contudo, no ranking de corrupção da ONG “Transparência Internacional”, a Grã-Bretanha ocupa o 14º lugar entre 177 nações (1) – significando que estaria entre as nações mais bem geridas da Terra. Ou os 13 países que vêm antes da Grã-Bretanha são espetacularmente corruptos, ou há algo errado com esse ranking da “Transparência Internacional”.
Sim, o problema é o índice. As definições de “corrupção” de que se serve são as mais estreitas e seletivas. Nos países ricos, práticas comuns que sem dúvida poderiam ser consideradas corruptas são simplesmente excluídas; já práticas comuns em países pobres são enfatizadas.
Esta semana foi publicado um livro bastante inovador, editado por David Whyte: How Corrupt Is Britain? [Quão Corrupta é a Grã-Bretanha?] (2). Deveria ser lida por todos aqueles que acham que Grã-Bretanha merece a posição em que aparece no ranking da “Transparência Internacional”.