quarta-feira, 5 de maio de 2010

VICENTE DE PERCIA FALA DA ESSÊNCIA DO MANDALA - ESTA ALÉM DA FORMA QUE DESENVOLVO.

OBRA DE VICENTE DE PERCIA

QUANDO TRABALHO O MANDALA PROCURO EXERCITAR UM LADO DIFERENCIAL, TENDO A SER HARMÓNICO COM OS MEUS OBJETIVOS VISUAIS. PERCEBO QUE EXISTE UMA ATIVIDADE SENSORIAL DE ACORDO COM O MOMENTO OU COM CERTOS CENÁRIOS QUE SURGEM POR TRAS DA ABSTRAÇÃO GEOMÉTRICA. POSSO, TAMBÉM CHAMÁ-LOS DE SÍMBOLOS ATEMPORAIS ATRELADOS À UMA FUNÇÃO ONDE AS CORES E OS TRAÇOS SURGEM NA CONFRONTAÇÃO COMIGO MESMO E DIANTE DE MECANISMOS EXISTENCIAIS DOS QUAIS O CAOS NÃO É DESCARTADO. PERCEBO QUE CONSTÂNCIAS MARCAM O MEU ESTILO, POIS É VISÍVEL UMA CONTINUIDADE ESTÉTICA. SÃO CIRCUNFERÊNCIAS, ROSÁCEAS QUE APARECERAM EM DIFERENTES CIRCUNSTÂNCIAS.

O MANDALA É A UNIDADE E SE REVELA POR TRANSITAR POR ESPAÇOS SIGNIFICATIVOS. HÁ OPOSTOS E SEMELHANÇAS COMO CÓDIGOS GENÉTICOS E POR VEZES, PERCEBO QUE SURGEM CONSTRUÇÕES ONDE A ROTA PARECIA PERDIDA. VEJO ELEMENTOS QUE TRAZEM EXPERIÊNCIAS VISUAIS ONDE O BELO ESTÁ PRESENTE POR MAIS QUE A OBRA SINALIZE CERTA IMPACIÊNCIA.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

POEMA DE VICENTE DE PERCIA : A CASA NEM COM NEM SEM


EL ritmo delas horas e olvidado infinidad de formas posibles
Adormece el cansacio
Negativa visiónno oidas incomplementada
sen el ocaso punto de vista el dispersar
Fuese el higado crujiente
un accidente acontecido
una declaracion de amor retratando el mal.
Estállásse los dedos
Para esas extensas cuerdas que nunca se sabe desatar
una determinación de no pedir a la jornada alegrias
La Manzana Enrojecida No Quiero Trabjar En Nete Verano

VICENTE DE PERCIA - prêmio Master deliteratura, 1985/86 -com o livro:"VOAMAR: NÃO QUERO TRABALHAR NESTE VERÃO" edit?Dois Pontos ,Rj. (parte do poema,tradução -Rosa Abbruzzesse zagari -o texto integral em espanhol e português foi lido e debatido no SESC,RJ,em 31/10/2008 )

quinta-feira, 8 de abril de 2010

VICENTE DE PERCIA E MARISA MURAY ENCONTRO DAS ARTES

Versátil atriz vocacionada para o canto, Marília Pêra já encarnou intérpretes de universos musicais díspares como Carmen Miranda (1909 - 1955), Dalva de Oliveira (1917 - 1972) e Maria Callas (1923 - 1977). Contudo, para entrar na pele de Florence Foster Jenkins (1868 - 1944), a cantora lírica retratada no musical Gloriosa, a atriz teve que desaprender a arte do canto para ter credibilidade no papel da lendária Jenkins, pianista que, por impossibilidade de tocar seu instrumento devido a um acidente, resolve se lançar na carreira de cantora lírica sem ter o menor talento para o ofício. É nesse persistente erro de Jenkins que Marília Pêra acerta mais uma vez e brilha ao protagonizar essa comédia musical que estreou na Inglaterra em agosto de 2005 e chegou ao Rio de Janeiro na sexta-feira, 9 de janeiro de 2009, após breves temporadas de ajustes em cidades como Niterói (RJ) e Santos (SP).Espetáculo de Charles Möeller e Cláudio Botelho, tradução excelente de Marisa Muray, "A Gloriosa" não é propriamente um musical como tantos assinados pela dupla. É, a rigor, uma comédia em que a música assume papel central por conta da devoção cega de Jenkins ao canto lírico. Por errar praticamente todas as notas das árias a que se propunha a cantar, a milionária nascida na Pensilvânia se tornou alvo de piada e de deboche. No entanto, talvez por uma questão de humanidade, fãs ilustres como Cole Porter (1891 - 1964) também iam aos recitais armados pela pretensa cantora nos saguões de hotéis luxuosos. Em suas apresentações, Jenkins contava com o acompanhamento do pianista Cosme McMoon, interpretado com competência por Eduardo Galvão. De início interessado nas vantagens financeiras propostas pela cantora, McMoon aos poucos se deixa seduzir pela personalidade carismática de Jenkins, que chegou a lotar o Carnegie Hall (NY, EUA) em 1944 num recital de críticas tão negativas que, além de destruir a ilusão de Jenkins, a levaram a um enfarte que provocaria a sua morte, algumas semanas depois.Com sua notável habilidade, Marília deixa aos poucos o espectador entrever as fragilidades e carências de Jenkins.

domingo, 21 de março de 2010

Vicente de Percia, Palestra Itinerante:Paleta Tonal na Obra de Cecília Meireles,SESC Teresópolis,Rj, 15/04/2010,19hs.30min.


Frase e Poesia de Cecilia Meireles

Pus-me a cantar minha pena com uma palavra tão doce, de maneira tão serena, que até Deus pensou que fosse felicidade - e não pena.
Anjos de lira dourada debruçaram-se da altura.
Não houve, no chão, criatura de que eu não fosse invejada, pela minha voz tão pura.
Acordei a quem dormia, fiz suspirarem defuntos.
Um arco-íris de alegria da minha boca se ergue apondo o sonho e a vida juntos.
O mistério do meu canto, Deus não soube, tu não viste.
Prodígio imenso do pranto: - todos perdidos de encanto, só eu morrendo de triste!
Por assim tão docemente meu mal transformar em verso, oxalá Deus não o ausente, para trazer o Universo de pólo a pólo contente!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

POP ART - ROBERT RAUSCHENBERG


Pergunte ao grande público qual o primeiro nome que vem à mente quando se fala em arte pop e Andy Warhol (1928-1987), certamente, será o mais lembrado. Pergunte aos próprios artistas pop quem era o seu papa e o nome que vai surgir é outro: o do americano Robert Rauschenberg (1925-2008), tema de uma bela exposição que abre neste mês no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Jasper Johns, conhecido por ter transformado em arte a imagem da bandeira dos Estados Unidos, aponta Rauschenberg como o mais criativo dos artistas americanos de sua geração. Willem De Kooning (1904-1997), durante muito tempo o pop mais cultuado pelos artistas jovens, foi mais longe ainda em sua homenagem a Rauschenberg. Autorizou o artista a apagar um de seus desenhos, no que seria um gesto artístico. Erased De Kooning Drawing (Desenho de De Kooning Apagado), de 1953, virou referência nos anos 50.
E o que faz de Rauschenberg um artista cultuado por seus pares? Ele é um dos pioneiros em pelo menos três procedimentos definidores da arte pop: o uso do dia a dia como matéria-prima, a referência a imagens produzidas em larga escala pela indústria cultural e a incorporação da palavra ao repertório das artes plásticas (veja obras ao longo desta reportagem). Essas posturas estão na mostra em São Paulo, que reúne 99 peças realizadas em sua trajetória: 76 delas gravuras e o restante assemblages (colagens feitas com os mais variados materiais). Rauschenberg fez também pinturas, fotografias e performances, sem necessariamente respeitar as fronteiras entre cada uma das técnicas.
Pode-se dizer que o artista foi radical ainda por seguir, de maneira bastante pessoal, os ensinamentos de um antecessor ilustre. "Ele é tão importante para a arte contemporânea por ter levado às últimas consequências as experimentações de Marcel Duchamp (1887-1968), o precursor do dadaísmo", diz o crítico e curador Nelson Aguilar. "Duchamp era um fidalgo, tinha um certo ar aristocrático. Rauschenberg, não. Era do povo e, por isso, conseguiu dar ao lixo o status de arte", completa Aguilar - que, em 1994, organizou uma sala para o artista pop, durante a 22ª Bienal de São Paulo. Ele se refere ao fato de o texano tomar como matéria-prima materiais descartados pela sociedade, incluindo embalagens de produtos e pneus velhos. "De certa forma, Rauschenberg torna viável o que Duchamp elaborou. John Cage, Merce Cunningham e Jasper Johns viraram outros artistas depois que o conheceram."
Criador de vanguarda, Rauschenberg foi um dos primeiros a explorar a ideia de que arte e vida não deveriam andar tão separadas. Suas combine paintings (algo como "pinturas combinadas"), como chamou os trabalhos, usavam toda a sorte de produtos encontrados por ele ao acaso, de garrafas de Coca-Cola a pássaros empalhados. A partir de 1962, ele explorou ainda a técnica de serigrafia para imprimir fotos em grandes telas. Em 1964, depois de ganhar o prêmio de pintura da Bienal de Veneza, Rauschenberg já era um nome consagrado nas mais fechadas rodas internacionais.
O artista adorava o Brasil, país que visitou muitas vezes. Além da edição de 1994 da Bienal, com curadoria de Aguilar, ele havia estado por aqui nas edições de 1959 e 1967, e posteriormente ainda teve peças exibidas na 24ª edição do evento, em 1998. "Ele sempre foi grato à projeção internacional que ganhou aqui. Estava comandando toda a idealização dessa mostra, viria para cá, mas acabou morrendo antes", conta o diretor do Instituto Tomie Ohtake, Ricardo Ohtake, que prepara a individual desde 2007. Mesmo com a participação destacada de Rauschenberg em bienais, esta é provavelmente sua mostra mais importante no país.
Mario Gioia é jornalista e crítico de arte.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

IRONIA VERSUS ARTE - A BEIRA DO ABISMO

A ironia, à vezes, se volta contra a própria pessoa que a lançou. É clássica a proposta do artista alemão Joseph Beuys, à época do muro de Berlim, em aumentar 5 centímetros sua altura. Por uma questão de proporção, segundo ele, melhorando sua estética.
O muro caiu e com ele as ideologias, mas ninguém reparou que as ideologias nunca andam sobre o muro e continuam pairando sobre nossas consciências, ainda que o neoliberalismo tenha decretado seu fim.
Os mesmos que apontavam o dedo contra o sindicalismo de resultados que apoiava o patrão contra os interesses de classe, são os que estão agora no poder dizendo que a luta está fora de moda. Daí minha dúvida sobre a eficiência da ironia. Não é possível afirmar uma identidade com base em nossa pobreza. Não saberia avaliar as consequências de se aconselhar que se beba Tropicola para quem não pode pagar pela Coca-cola, sob a justificativa de que uma é mais barata que a outra e ainda é nacional, sendo que as duas produzem os mesmos efeitos colaterais.
Ingenuidade globalizada
Achamos curioso e ingênuo o fato de que certos membros de tribos africanas serem tratados com deferência na comunidade por usarem uma caixa de papelão sobre a cabeça, como se isso pudesse conferir status e poder. Mas batemos palmas porque uma caveira de platina cravejada de diamantes, feita por um artista inglês, é colocada a venda por milhões de doláres, como se o artista nos disesse que, se a arte está circunscrita a um circuito e esse circuito é limitado pelo capital, então tudo o que ainda pode ser feito é salpicar esse limite (essa cerca, esse muro) com diamantes.
Não há ironia que resista ao fetiche da mercadoria. Basta se lembrar das famosas calças Lee, que nos anos 70 eram contrabandeadas do Paraguai como o suprasumo da moda.
Estamos a mercê da cobiça pelas caixas de papelão sobre nossas cabeças, seja ela um novo programa pirateado para seu computador, ou um play station de última geração, ou, quem sabe, um novo carrão importado. Aproveite porque somos globalizados e não vivemos mais tribalmente, embora sem saber até quando vai isso...
Daqui ninguém sai vivo
Afirmar uma piada sem graça, aceitando a condição de lúmpem, também não é o caso para se fazer produzir alguma diferença na paisagem devastada da cultura. Dizer-se que não é parte do banquete neoliberal, mas disputando os farelos que sobram à mesa, como se isso trouxesse alguma identidade, também não é solução.
Não há como fugir ao fato de que, se não aceitarmos nossa condição periférica não saberemos onde mais onde nos espelhar. Queríamos ser americanos, mas nos tornamos canibais sem chegar a antropófagos. Não sabemos o que é ritual e nos acostumamos a comer carne humana como se isso fosse natural.
O alemão Beuys trava uma luta com o francês Marcel Duchamp na qual quem sai ganhando é o inglês Damien Hirst (o da caveira platinada acima). Ao dizer que "o silêncio de Duchamp foi sobrevalorizado" - porque este se recusou a continuar participando das imposições do mercado de arte, radicalizando a questão que trata da arte e da vida - chamou os demais artistas à ação.
Beuys, como herdeiro de uma tradição de rupturas, em arte - da qual o próprio Duchamp foi um dos precursores - talvez tenha tropeçado em sua própria forma de ver a arte e o mundo, à sua época, quando falou sobre o muro de Berlim, mas tinha consciência que é preciso agir. Nem que que essa ação resultasse em parar um pouco, olhar ao redor e se perguntar se vale a pena seguir adiante quando estamos todos à beira do abismo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O CRÍTICO VICENTE DE PERCIA COMENTA JERRY ROBINSON DIA 24/O2/2010 ÀS 19 HS NO CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA,RJ

Não bastasse seu talento como artista, Jerry Robinson destacou-se também como um grande defensor de sua categoria profissional. Ele foi um dos principais negociadores na batalha judicial entre Jerry Siegel e Joe Shuster, os criadores do Super-Homem, e a editora DC Comics pelos direitos sobre a personagem, vendida pela dupla por apenas 25 dólares quando ambos eram ainda adolescentes. Um acordo garantiu a eles uma pensão vitalícia e o direito de figurarem como criadores do herói.
Robinson é fundador e presidente do Cartoonist & Writers Syndicate, que representa 500 artistas de 50 países, incluindo 12 brasileiros. Como dirigente do CWS, ele atuou na libertação de cartunistas presos no Uruguai e na extinta União Soviética. É também integrante do conselho de diretores do Museu Internacional do Cartum, em Boca Ratón, Flórida.
Rua Mello Franco 681, Teresópolis, RJ, Entrada Franca