segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

ESTUDO MOSTRA QUE A VIDA É POSSÍVEL EM MARTE


SYDNEY — Cientistas australianos, que desenvolveram um modelo das condições de Marte para examinar quais regiões seriam habitáveis, afirmaram em um artigo publicado na edição desta segunda-feira da revista científica Astrobiology que "vastas regiões" do planeta vermelho poderiam abrigar a vida.
A equipe de Charley Lineweaver, da Universidade Nacional Australiana, comparou modelos de condições de temperatura e pressão com as de Marte para calcular quanto do planeta seria habitável para organismos similares aos terrestres.
Enquanto apenas 1% do volume da Terra - do centro à alta atmosfera - abriga vida, Lineweaver disse que seu modelo inédito demonstrou que 3% de Marte são habitáveis, embora a maior parte deste percentual esteja no subterrâneo.
"O que tentamos fazer, simplesmente, foi pegar quase toda a informação de que dispunhamos, juntá-la e dizer 'a ideia geral é consistente com a existência de vida em Marte?'", disse o astribiólogo à AFP.
"E a resposta simples é sim... Há vastas regiões em Marte que são compatíveis com a vida terrestre", acrescentou.
Enquanto estudos anteriores assumiram uma abordagem "fragmentada" ao examinar locais específicos de Marte em busca de sinais de vida, Lineweaver disse que sua pesquisa é uma "compilação abrangente" de todo o planeta, com base em décadas de dados.
Foi encontrada água congelada nos pólos de Marte e o estudo da universidade australiana examinou quanto do planeta poderia reter água, "que o tornasse habitável nos padrões terrestres para micróbios similares aos terrestres".
O ambiente de baixa pressão de Marte significa que a água não pode existir em estado líquido e vaporizaria na superfície, mas Lineweaver afirmou que as condições seriam adequadas no subterrâneo, onde o peso do solo daria a pressão adicional necessária.
O planeta seria quente o suficiente em algumas profundidades para bactérias e outros microorganismos se desenvolverem, devido ao calor do centro do planeta.
A temperatura média na superfície de Marte, o vizinho mais próximo da Terra, é de -63ºC.
Lineweaver afirmou que seu estudo é "a melhor estimativa já publicada sobre quão Marte é habitável para os micróbios terrestres" e uma descoberta significativa, uma vez que a humanidade evoluiu a partir da vida microbiana.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

DESENHOS INDIGENAS BRASILEIROS

Os índios Kadiwéu ou Cadiuéu são também chamados de índios cavaleiros, descendentes dos Mbaya-Guaicurus, com fama de terem sido excelentes guerreiros. Nos conflitos escondiam-se no dorso dos cavalos para enganar os inimigos, fazendo-os pensar que os cavalos estavam sem cavaleiros. Destacaram-se pela tenaz resistência, imposta aos espanhóis e portugueses, em conflitos na bacia do rio Paraguai quando da colonização do Brasil.
Habitam a Serra da Bodoqueira, entre Bonito e Jardim, no Mato Grosso do Sul, num território de 100 mil hectares. Suas principais atividades são a criação de gado, a agricultura de subsistência, a caça, a pesca e o maravilhoso artesanato.
Os Kadiwéu são admirados pelo excelente trabalho que realizam com o barro, principalmente no que se refere à decoração das peças. São desenhos geométricos com cores fortes - preto, vermelho, ocre, amarelo, branco, verde e outras. Os corantes utilizados são naturais: minerais e vegetais da região.
A trabalho de modelar o barro é predominantemente feminino, como sempre acontece nas tribos indígenas.
Os desenhos gráficos dos Kadiwéu influenciam bastante os trabalhos de estilistas, pintores e outros artistas de Mato Grosso do Sul. Nas lojas de Campo Grande, capital do estado, é comum encontrar os mais variados objetos ostentando símbolos artísticos dos indígenas.
Algumas lojas de artesanato de Bonito vendem peças cerâmicas originais dos índios Kadiwéu, mas é preciso ter certeza da originalidade

ARTE POVERA


Arte Povera, significa Arte Pobre e foi um movimento artístico italiano que se desenvolveu na segunda metade da década de 60. Este grupo de jovens artistas italianos, sitiados em Turim, Milão, Génova e Roma, usava materiais de pintura não convencionais, como por exemplo a areia, madeira, sacos, jornais, cordas, terra e trapos, com o intuito de empobrecer a pintura e eliminar quaisquer barreiras entre a arte e o dia-a-dia das pessoas. Esta corrente surje num momento em que os artistas se voltam para a natureza ou derivados, rompendo com os processos industriais, mostrando o empobrecimento de uma sociedade guiada pelo acumular de riquezas materiais.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

ARTE DA RELAÇÃO / PRESENÇA

Vôo III, objeto de Gilda Goulart


Regia d' Itália :Tela, série Mandalas, de Vicente de Percia

Collettiva degli artisti plastici Gilda Goulart e Vicente de Percia. Goulart basa e si ispira per le sue opere nello stilista italiano Emilio Pucci; sono oggetti composti da vari materiali e tecnica mista, alti e bassi rilievi con cromatismi accentuati come quelli di Pucci, artista degli anni 60 che influenzò il designer mondiale. De Percia con la propria tematica "Mandala" mostra tecnica mista su tela sottolineando la circonferenza; in particolare questa opera ricorda i colori dell'Italia, rosso, bianco e verde. Completa l'ambiente con oggetti che rappresentano un omaggio all'Arte Povera italiana. Sono materiali presi dalla vita quotidiana. Andrea Lanzi Arte : de Percia, Vicente. Título: Regia d' Itália. Técnica: tinta acrílica s/ tela, colagem, assemblage, diâmetro 1m 20cm


BRASITALIA - Forte Copacabana, Rio de Janeiro de 7 a 11 de Dezembro das 10hs às 23hs

terça-feira, 29 de novembro de 2011

IMAGENS DO INFERNO CONTEMPORÂNEO

Por Alexandre Pilati
Está disponível no Brasil uma das obras primas de Dino Buzzati (1906-1972), autor italiano internacionalmente conhecido pelo romance O deserto dos tártaros (1940). Trata-se do Poema em quadrinhos
i (Poema a fumetti, 1969), uma lancinante recriação gráfica e textual da descida de Orfeu aos infernos à procura de sua amada Eurídice. Dessa reunião entre grafismo e um texto poeticamente apuradíssimo nasceu uma das mais originais recriações do mito órfico e uma das mais instigantes viagens críticas nos meandros das estruturas políticas e culturais da alta modernidade.
Ao que parece, a forma encontrada por Buzzati para se expressar é fruto de um profundo dilaceramento do criador quanto aos materiais que escolhe para dar vazão à matéria poética. Longe de ser um mero texto ilustrado, Poema em quadrinhos é um texto de grande densidade poética articulado, de maneira magistral, a um registro gráfico que não é apenas legenda imagética do texto, mas que funciona como uma instância outra da própria poesia que a criação buzzatiana emana. Nesse sentido, a obra também poderá ser lida como um grito órfico (pela possibilidade de resistência crítica da arte) no meio da pasmaceira estética da indústria cultural. A fórmula de Buzzati, entre texto e imagem, surge, talvez, do dilema que foi indicado por ele mesmo em um livro de entrevistas, intitulado Dino Buzzati, pitore (1969). Como aparece reproduzido na edição brasileira, o artista afirma sobre o seu metier: “Sou um pintor que, por hobby, durante um período infelizmente bastante longo, fez-se também escritor e jornalista. O mundo, no entanto, crê que seja o contrário e não ‘pode’ levar a sério minhas pinturas”.
Levando a sério a empreitada gráfica e textual de Buzzati no Poema em quadrinhos, o leitor poderá fruir a eficácia estética atingida pelo autor na combinação das duas linguagens, que, na obra, diga-se de passagem, funcionam como uma terceira e potente linguagem artística, tamanha é a integração tensionada entre elas. E não poderia ser diferente, uma vez que a escolha do próprio tema impõe um desafio formal ao autor. Trata-se do velho mito de Orfeu que desce aos infernos para resgatar a amada Eurídice. Adaptado para a realidade contemporânea, os personagens centrais são nomeados como Orfi, um jovem cantor pop, e Eura, sua amada que desce ao inferno. Este nada mais é do que uma casa misteriosa e fantasmática na Via Saterna, em Milão, localizada em frente à janela de Orfi. Um dia, o cantor vê entrar na casa um vulto que lhe parecer ser o de Eura, que ultrapassa a porta, como se fosse um espírito. Posteriormente, Orfi sabe que Eura estava morta e decide entrar na casa-inferno para resgatar sua amada. Depois de uma série de acontecimentos, é dada a Orfi a chance de cantar uma canção capaz de emocionar o reino dos mortos o que lhe dará a oportunidade de encontrar a sua amada e retornar ao mundo dos vivos.


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sábado, 26 de novembro de 2011

CORPORAÇÕES




Por Ladislau Dowbor* “There is a big difference between suspecting the existence of a fact andin empirically demonstrating "






Todos temos acompanhado, décadas a fio, as notícias sobre grandes empresas comprando-se umas as outras, formando grupos cada vez maiores, em princípio para se tornarem mais competitivas no ambiente cada vez mais agressivo do mercado. Mas o processo, naturalmente, tem limites. Em geral, nas principais cadeias produtivas, a corrida termina quando sobram poucas empresas, que em vez de guerrear, descobrem que é mais conveniente se articularem e trabalharem juntas, para o bem delas e dos seus acionistas. Não necessariamente, como é óbvio, para o bem da sociedade. Controlar de forma organizada uma cadeia produtiva gera naturalmente um grande poder econômico, político e cultural. Econômico através do imenso fluxo de recursos – maior do que o PIB de numerosos países. Político, através da apropriação de grande parte dos aparelhos de Estado. Cultural, pelo fato da mídia de massa mundial criar, através de pesadíssimas campanhas publicitárias – financiadas pelas empresas, que incluem os custos nos preços de venda – uma cultura de consumo e dinâmicas comportamentais que lhes interessa, e que gera boa parte do desastre planetário que enfrentamos. Uma característica básica do poder corporativo, é o quanto é pouco conhecido. As Nações Unidas tinham um departamento, UNCTC (United Nations Center for Transnational Corporations), que publicava, nos anos 1990, um excelente relatório anual sobre as corporações transnacionais. Com a formação da Organização Mundial do Comércio, simplesmente fecharam o UNCTC e descontinuaram as publicações. Assim, o que é provavelmente o principal núcleo organizado de poder do planeta deixou simplesmente de ser estudado, a não ser por pesquisas pontuais dispersas pelas instituições acadêmicas, e fragmentadas por países. O documento mais significativo que hoje temos sobre as corporações é o excelente documentário “A Corporação” (The Corporation), estudo científico de primeira linha, que em duas horas e doze capítulos mostra como funcionam, como se organizam, e que impactos geram. Outro documentário excelente, “Trabalho Interno” (Inside Job), que levou o Oscar de 2011, mostra como funciona o segmento financeiro do poder corporativo, mas limitado essencialmente a mostrar como se gerou a presente crise financeira. Temos também o clássico do setor, “Quando as Corporações Regem o Mundo” (When Corporations Rule the World) de David Korten. Trabalhos deste tipo nos permitem entender a lógica, geram a base do conhecimento disponível. Mas nos faz imensa falta a pesquisa sistemática sobre como as corporações funcionam, como se tomam as decisões, quem as toma, com que legitimidade. O fato é que ignoramos quase tudo do principal vetor de poder mundial que são as corporações. Agindo no espaço planetário, e na ausênciade um governo mundial, poucas empresasmanejam grande poder, sem nenhum controle É natural e saudável que tenhamos todos uma grande preocupação em não inventarmos conspirações diabólicas, maquinações maldosas. Mas ao vermos como nos principais setores as atividades se reduziram no topo a poucas empresas extremamente poderosas, começamos a entender que se trata, sim, de poder político. Agindo no espaço planetário, e na ausência de governo mundial

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

CRÍTICA DA ÓPERA "A VALQUÍRIA" DE RICHARD WAGNER TEMPORADA 2011, THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO

"A Valquíria" drama em três atos libreto e música de Richard Wagner estreou no Theatro Municipal de São Paulo em 17 de Novembro, temporada 2011 com várias récitas. A célebre e difícil ópera exige cantores com timbres e perfomaces diferenciados, fora cenários e figurinos que aproximem o público com O Ouro do Reno e a trilogoia Wagneriana porém, isto não ocorreu nessas récitas. " "A Valquíria" inicia-se com a tormenta e no " Ouro Do Reno" assistimos as belas encenações aquáticas e o Reno correndo para o Mar.
"A Valquíria" a intensidade Wagneriana explode desde o I ato após o casamento de Sieglinde e Sigmund ignorando a força e divindade de Wotan. O prelúdio é um chamamento de uma tempestade. Raios, trovões. A condução musical do I ato oferece o brilho dos contra baixos e violoncelos e abre para Sigmund a sua gloriosa entrada. No papel de Sigmund, Martim Muehle não convence, não possui a voz para o enfrentamento com os instrumentos e o volume exigido, mostra-se um herói titubeante. A atração dos dois irmãos com duplo significados e das constantes emoções e pressentimentos estão plantados. Há mudanças do clima da música e Muelhle não corresponde a elas. Lee Bisset (Sieglind), soprano escocesa, vive seu personagem com distinção, apesar de alguns floreios que antecipa a vontade de vê-la em uma ópera de Verdi, brilha com sua voz e presença. Gregory Reinhart (Hunding), baixo americano é perfeito, com excelente voz e apropriado para o papel nos aproxima do pesado acompanhamento das trompas. A forte emoção é prejudicada por um figurino eclético, incompreensivo, a tentativa de ser "contemporâneo" se perde por falta de um segmento estético cênico. Com um cenário barroco, cheio de objetos desnecessários, lustres de cristais, moveis atuais, ex votos, o afastamento se dá impedindo o público apreciar através da identidades mitológicas às cenas e cantos magistrais. A exortação para vitória dos Wälsung é o extase da paixão no beijo dos irmãos; a conquista da espada não é bem resolvida. " Existe autoridade do compositor, ela está permanentemente tecendo percepções dos afetos, e seus personagens enquadram-se em metáforas do inconsciente para surpreender e narrar uma dialética onde o personagem central praticamente não luta com um antagonista" Vertentes do Amor e Morte" edit/ Bow Art International , 2009, SP. Vicente de Percia.
II Ato
Novamente no prelúdio são ouvidos a cavalgada das Valquirias. Janice Baird, soprano americna defende com fidelidade (Brünnilde). Já Stefan Heideman( Wotan) não convence. A atmosfera tempestuosa que deveria estar presente não existe e, é novamente prejudicada pelo controvertido figurino e cenário. No cenário uma tentativa inútil de uma desterritorização voltada para signos, símbolos e arquétipos brasileiros, não convence. Denise de Freitas (Fricka) meiossoprano brasileiro também não possui o registro Wagneriano, oscila nos agudos e imprime a seu personagem, gestos exagerados, parece querer dominar a cena a todo custo, com voz equivocada perde a ascensão que o personagem exige. Passa despercebida a sua exigência da vingança de Wotan em relação a Hunding. O canto de morte profético não convence, falta a solenidade Wagneriana. É o ato mais fraco, pois não possibilita a grande retirada cênica de Sieglind, o grito de horror. A despedida.
AtoIII
A Cavalgada das Valquíras abre esse ato. A extrema agitação exigida se perde diante dos figurinos, cenários e alegorias apresentados, "carnavalesco". A notícia e profecia que Brünnhilde anuncia a Sieglinde que será a mãe Siegfried está voltada no motivo de Siegfried. Não há mudanças expressivas nesse ato; os rostos dos deuses desfigurados em face da desobediência; à cena em que a Valquíria jaz em penitência aos pés do pai é desperdiçada. Já os sentimentos de Wotan, o dever de punir não são claros. A cena entre Wotan e Brünnilde e introduzida por uma passagem orquestral é o melhor deste ato. Os demais cantores contribuiram em parte para este desafio que foi a montagem de A Valquíria de Richard Wagner ausente dos nossos palcos à décadas. A Orquestra Sinfônica Municipal, regência e direção de Luiz Fernando Malheiro saiu-se bem, valorizando as trompas, harpa e trazendo o fogo mágico dos deuses. André Heller merece nossa atenção, porém não se viu " A Valquíria" tão aguardada. O Theatro Municipal de São Paulo apesar de anunciar todas as récitas esgotadas a casa tinha muitos lugares vazios. Grande parte do público abandonou o espetáculo no final do II ato. O que denúncia que o espetáculo não agradou como anunciado.
Vicente de Percia

Comentários



A crítica de Vicente de Percia revela conhecimento da obra de Wagner e seus comentários se assemelham muito com as minhas opiniões sobre a produção desta ópera no Theatro Municipal.Parabéns pela perfeita compreensão e reconhecimento dos erros no que se refere à "reggia" de André Heller Filipe, bem como nas concepções cenográficas e na escolha das vozes intérpretes de seus personagens.
Por Marco Antonio Seta em CRÍTICA DA ÓPERA "A VALQUÍRIA" DE RICHARD WAGNER ... às 05:48

Marco Antonio Seta disse...
A crítica de Vicente de Percia revela conhecimento da obra de Wagner e seus comentários se assemelham muito com as minhas opiniões sobre a produção desta ópera no Theatro Municipal.Parabéns pela perfeita compreensão e reconhecimento dos erros no que se refere à "reggia" de André Heller Filipe, bem como nas concepções cenográficas e na escolha das vozes intérpretes de seus personagens.



21:00

Maria João Machado disse...
Consistente crítica de um conhecedor de Richard Wagner


Maria João Machado


Lisboa Portugal


Antônio V Perdegann disse...
Li e gostei. Parabéns