domingo, 12 de dezembro de 2010

UMA REVOLUÇÃO COMEÇOU - E SERÁ DIGITALIZADA














Por Heether Brooke*, do The Guardian
A diplomacia sempre incluiu jantares com as elites dominantes, acertos de bastidores e encontros clandestinos. Agora, na era digital, os relatos de todas estas festas e diálogos aristocráticos pode ser reunido numa enorme base de dados. Uma vez recolhidos em formato digital, é muito fácil compartilhá-los.
Na verdade, é para isso que a base de dados
Siprnet, de onde os segredos diplomáticos norte- americanos são vazados, foi criada. A comissão governamental criada nos EUA para avaliar a segurança nacional após o 11 de Setembro fez uma descoberta notável: não era o compartilhamento de informações que ameaçava os EUA, mas o não-compartilhamento. A falta de cooperação entre agências governamentais e a retenção de informações por burocratas desperdiçaram muitas oportunidade para bloquear os ataques contra as Torres Gêmeas. Em resposta, a comissão ordenou uma restruturação dos serviços do governo e da inteligência, para que se adaptassem à própria web. A nova prática era de colaboração e compartilhamento de informações. Mas, ao contrário de milhões de membros do governo e empresas terceirizadas, o público não tinha acesso à Siprnet.
Porém, os dados têm o hábito de se espalhar. Eles escorregam entre a segurança militar e também podem vazar pelo Wikileaks, o meio pelo qual eu obtive as informações. Eles violaram até os prazos de fechamento do Guardian e de outros jornais envolvidos na divulgação da história, quando um cópia clandestina do semanário alemão Der Spiegel acidentalmente chegou às bancas em Basle, na Suíça, domingo passado. Alguém a comprou, entendeu o que ela continha e começou a escanear as páginas, traduzindo-as do alemão para o inglês e postando no Twitter. Parece que os dados digitalizados não respeitam autoridade alguma, esteja ela no Pentágono, no Wikilieaks ou num editor de jornais.
Cada um de nós já viveu, pessoalmente, as enormes mudanças que vêm com a digitalização. Fatos ou informação que considerávamos efêmeros e privados agora são permanetes, públicos e agregáveis. Se o volume dos atuais vazamentos parece grande, pense nos 500 milhões de usuários do Facebook, ou nos milhões de registros mantidos pelo Google. Os governos mantêm nossos dados pessoais em enormes bases. Era caro obter e distribuir informação. Agora, é caro retê-la.
Mas quando os devassa de dados atinge o público, os governantes parecem não se importar muito. Nossa privacidade é disponível. Não surpreende que a reação aos novos vazamentos seja, agora, diferente. O que transformou, num sentido revolucionário, a dinâmica do poder não é a escala das revelações – mas o fato de que indivíduos podem tornar pública uma cópia de documentos do Estado. Em papel, estes vazamentos equivalem, segundo estimativas do Guardian, a 213.969 paginas A4, que teriam, empilhadas, a altura de 43 quilômetros. Algo impossível de vazar com segurança, na era do papel.
Para alguns, a novidade significa uma crise. Para outros, uma oportunidade. A tecnologia está rompendo as barreiras tradicionais de classe, poder, riqueza e geografia – e substituindo-as por um ethos de colaboração e transparência.
Um ex-embaixador dos Estados Unidos na Rússia, James Collins, disse à CNN que a revelação dos registros pelo Wikileaks “impedirá que as coisas seja feitas de forma normal e civilizada”. Muito frequentemente, “normal” e “civilizado” significa, na linguagem diplomática, fazer vistas grossas para injustiças sociais flagrantes, corrupção e abuso de poder. Depois de ler centenas de documentos, constato que muito dos “danos” que eles provocam é revelação embaraçosa e constrangedora de verdades inconvenientes. Em nome da segurança de uma base militar num dado país, nossos líderes aceitam um ditador brutal que oprime seu povo. Isso pode ser conveniente a curto prazo para os políticos, mas as consequências a longo prazo para os cidadãos do planeta podem ser catastróficas.
Os vazamentos não são o problema, apenas o sintoma. Revelam a desconexão entre aquilo que as pessoas desejam e precisam e o que realmente fazem. Quanto maior o segredo, mais prováveis os vazamentos. O caminho para superá-los é assegurar um mecanismos robustos para acesso público a informação relevante.
Graças à internet, esperamos um nível muito maior de conhecimento e participação, em muitos aspectos de nossas vidas. Mas os políticos resistem resolutamente aos novos tempos. Vêem-se como tutores de um público infantil – que não merece nem a verdade, nem o poder real que o conhecimento oferece.
Muito da revolta governamental sobre os vazamentos não tem a ver com o conteúdo do que é revelado, mas com a audácia de quem rompe o que eram fortalezas invioláveis da autoridade. No passado, confiávamos nas autoridades. Se um governante nos dissesse que algo poderia prejudicar a segurança nacional, tomávamos a afirmação como verdade. Agora,os dados crus por trás desta crença estão se tornando públicos. O que percebemos de vazamentos sobre as despesas de parlamentares, ou a cumplicidade de governos com a tortura, é que quando os políticos falam sobre uma ameaça à “segurança nacional”, referem-se frequentemente à defesa de sua própria posição ameaçada.
Estamos num momento crucial, em que alguns visionários, na vanguarda de uma era digital, enfrentam quem tenta, desesperadamente, controlar o que sabemos. O Wikileaks é o front de guerrilha, num movimento global por maior transparência e participação. Projetos como o
Ushahidi usam redes sociais para criar mapas onde os cidadãos podem relatar violências e desafiar a versão oficial dos fatos. Há ativistas empenhados em liberar dados oficiais, para que as pessoas possam ver, por exemplo, os orçamentos públicos em detalhe.
Por ironia, o Departamento de Estado dos EUA foi um dos grandes incentivadores da inovação técnica, como meio para levar a democracia a países como o Irã e a China. O presidente Obama exortou regimes repressores a deixar de censurar a internet. No entanto, uma lei que tramita no Congresso permite ao Procurador-Geral em Washington criar uma “lista suja” de websites. É possível acreditar numa democracia forte apenas para assuntos externos?
Os governantes costumavam controlar os cidadãos por meio do fluxo restrito de informações. Agora, está se tornando impossível vigiar o que a sociedade lê, vê e ouve. A tecnologia permite desafiar coletivamente a autoridade. Os poderosos vigiaram por muito tempo as sociedades, para controlá-las. Agora, os cidadãos estão lançando um olhar coletivo sobre o poder.
É uma revolução, e todas as revoluções geram medos e incertezas. Caminhamos para um Novo Iluminismo da Informação? Ou a revanche daqueles quer querem manter controle a qualquer custo nos levará a um novo totalitarismo? O que ocorrer nos próximos cinco anos definirá o futuro da democracia no próximo século. Por isso, seria ótimo que os nossos líderes respondessem aos desafios de hoje com um olhar sobre o futuro.
–
*Heether Brooke é jornalista, escritora e ativista pelo Direito à Informação. Nascida nos Estados Unidos, vive em Londres e colabora com o The Guardian.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

LITERATURA DE INDIGENAS DE MÉXICO

Forjadores de Canto Desconocido
Forjadores de canto de nombre desconocido
Desde hace algún tiempo se sabe que el célebre señor de Teztcoco, llamado Nezahualcóyotl (1402-1472), había sobresalido por su sabiduría y gran capacidad de poeta. Recientes investigaciones muestran que además de él existieron varios poetas prehispánicos que compusieron distintas obras.Para su estudio los distribuiremos según los señoríos en que vivieron: Teztcoco, Mexico, Tenochtitlan, la región poblana, la tlaxcalteca y Chalco y Amecameca.Los forjadores de cantos de la región teztcocana Tlaltecatzin de CuauhchinancoTlaltecatzin fue contemporáneo del supremo gobernante de Teztcoco, Techotlala, que reinó entre los años 1357 y 1409. Era gobernante de Cuauhchinaco, en el actual estado de Puebla, señorío que dependía del reino de Teztcoco. Se conserva un sólo canto de Tlaltecatzin, cuyo tema es el placer en todas sus formas.Nezahualcóyotl de TeztcocoNacido en el año de 1402 (1-conejo) en Teztcoco y muerto en 1472. Hijo de Ixtlixócitl y de Matlalcihuatzin, recibió esmerada educación, tanto en el palacio paterno, como en el calmecac o escuela de estudios superiores. De esta forma pudo adentrarse en el conocimiento de las doctrinas y sabiduría heredadas por los toltecas.En 1431 recibió el señorío de Teztcoco, reinado que duró más de cuarenta años, en los cuales edificó palacios, templos, jardines botánicos y zoológicos. Dirigió además la construcción de calzadas, las obras de introducción de agua a México, la edificación de diques para aislar las aguas saladas de los lagos e impedir inundaciones.En cuanto a su obra poética, son treinta los poemas que se conocen. Entre los grandes temas que tratan están: el de la fugacidad en todo cuanto existe, la muerte inevitable, la posibilidad de decir palabras verdaderas y del enigma del hombre frente a los dioses. El deleite de estos poemas estriba en que permiten un acercamiento al alma y a la belleza de expresión del tan admirado supremo gobernante y poeta Nezahualcóyotl.

sábado, 4 de dezembro de 2010

LIMITES QUE A ESTRUTURA DAS ORQUESTRAS DENUNICIAM NAS ARTES

Ao longo do século XX houve uma tendência a abandonar a orquestra como meio privilegiado de expressão musical dos compositores do ocidente, juntamente com o esgotamento criativo das formas musicais tradicionalmente associadas à orquestra, especialmente a ópera, a sinfonia e o concerto e o poema sinfônico. Cada vez que os compositores do século XX voltaram à escrita orquestral e às sua formas tradicionais foi, normalmente, com o intuito de negar a tradição, subvertendo-a. Ressalvas importantes podem ser feitas para um significativo número de compositores que se manteve mais fiel à tradição do século XIX, como os classificados de nacionalistas e de neo-clássicos. Mas mesmo estes recriaram a tradição muito a seu modo, usando uma linguagem sinfônica peculiar pouco parecida com a dos compositores novecentistas, especialmente quanto à linguagem harmônica e às combinações de timbres, mesmo quando mantiveram o grupo orquestral em sua forma tradicional do fim do século XIX.
A tendência ao abandono da grande orquestra e de suas formas tradicionais pode ser comparada a uma crise geral do período que ficou conhecido como
Belle époque. Muitos analistas afirmam que foram os artistas os primeiros a sentirem e expressarem esta crise do mundo burguês, que só ficou realmente patente com o estouro da 1ª Guerra Mundial em 1914. De qualquer modo, esta crise dos valores burgueses se fez sentir na escrita orquestral de várias formas. Ficou mais difícil juntar grandes orquestras, o que levou a uma tendência ao uso de pequenos grupos como na Sinfonia de Câmera ou no Pierrot Lunaire de Schoenberg.
A dificuldade em juntar grandes orquestras teve motivos econômicos, inclusive ligados à guerra e às crises que a sucederam. Mas teve muito mais motivos estéticos: a escrita orquestral foi se afastando do gosto do grande público por causa do abandono da discursividade melódica, da harmonia tonal e da regularidade rítmica pelos compositores. Sem a possibilidade de juntar grandes públicos ficou mais difícil financiar grandes orquestras. A própria restrição política imposta à música de vanguarda pelo nazismo e pelo stalinismo levou ao exílio dos compositores radicais e à dificuldade de montar suas obras. Se eles quisessem velas no palco, seria necessário apelar para grupos menores.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

DECADÊNCIA DO MODELO EUROPEU

Por Roberto Savio, da Agência IPS Tradução Caue Seigne Ameni
Com a recente declaração da chanceler alemã Angela Merkel, sobre o fracasso do modelo multicultural na Alemanha, completam-se os sinais de uma onda xenofóbica na Europa. Segundo as pesquisas, se um partido xenofóbico disputasse hoje as eleições alemãs, obteria cerca de 15% dos votos. Mesmo países mais tolerantes, como Holanda ou Suécia, vêm demostrando nos últimos casos, um governo condicionado por partidos que pedem a expulsão dos estrangeiros e o retorno a uma nação pura e homogênea.
Segundo o Fundo de Populações da ONU (2009), a Europa deveria acolher até 2015 pelo menos 20 milhões de imigrantes para seguir sendo competitiva em plano mundial. O envelhecimento da população europeia vem crescendo rapidamente e pela primeira vez os maiores de 50 anos superam os menores de 18. Por este motivo, o sistema de Previdência Social está fadado a sofrer uma forte crise estrutural, se não houver trabalhadores suficientes para pagar as contribuições correspondentes.
Nenhum governo buscou implantar uma política educacional para conscientizar seus cidadãos da importância dos imigrantes para o desenvolvimento nacional. Permitiu-se que se propagassem mitos como a perda de postos de trabalho por parte dos europeus; ou o suposto perigo representado pelos estrangeiros para a ordem pública. Hoje, cerca de 70% das novas empresas são resultado da iniciativa de imigrantes (OCDE, 2009) e somente 1% deles estão envolvidos em atividades criminosas (embora representem uma parte importante da população carceraria).
Se levarmos em conta a condição da Europa como potência econômica, os dados são ainda piores. A balança de pagamentos vem se desequilibrando cada vez mais. Com exceção da Alemanha, os países europeus estão perdendo progressivamente quotas do mercado mundial. Segundo as projeções, se a União Europeia não reverter as tendências atuais, seu PIB será provavelmente superado pela China já em 2015.
Estes dados não chegam aos cidadãos comuns, mas a perda de credibilidade nas instituições europeias é real, assim como um crescente desencanto com as instituições políticas. A pesquisa “Eurobarômetro” de 2010 indica que apenas 52% dos cidadãos estão dispostos a votar.
A mesma situação, embora com sintomas diferentes, apresenta-se nos EUA. A crise financeira, a desocupação, a perda da casa própria por milhões de pessoas, a impossibilidade de aposentar-se e a necessidade de continuar trabalhando para sobreviver, o aumento da pobreza, que alcança um norte-americano em cada dez, o corte de serviços públicos (incluindo educação e infraestruturas estatais) produziram um resultado desconcertante. O percentual de aprovação ao governo de Barack Obama caiu a 43%; e 49% dos entrevistados pela CNN declararam preferir George W. Bush.
As eleições de novembro registraram um forte retrocesso do Partido Democrata, o que tornará ainda mais difícil a segunda metade do governo de Obama. Isso ocorre apesar de o presidente ter feito uma reforma quase completa do sistema de saúde, uma mudança pequena no ensino e ajustes tímidos no sistema financeiro.
Estamos também aqui diante a uma fuga para frente, outra aspirina contra uma doença grave. No caso estadunidense, além dos fatores internos, há a constatação de que esta superpotência vem perdendo a capacidade de cumprir seu “destino manifesto” — segundo o qual seria um país diferente dos demais e estaria destinada, pela universalidade de seu sistema de valores, a governar o mundo.
O Tea Party, um movimento ultraconservador em pleno crescimento nos EUA, é composto por duas grandes vertentes. Uma, quer reduzir o governo à minima expressão. Considera Obama um perigoso socialista, que converterá o país auma segunda Europa. Para evitá-lo, procura cortar ao máximo os impostos e dar liberdade total ao cidadão. A segunda ala crê que a decadência estadunidense deve-se a uma conspiração internacional; e julga que é hora de retomar a posição e de tirar de cena intelectuais ineficientes como Obama.
Esta marcha da Europa e EUA rumo a uma situação de deriva ocorre enquanto China, Índia e Brasil e diversos outros países emergentes – da Indonésia à Malásia; da Coréia à Argentina – marcham num ritmo de crescimento econômico muito superior. Uma das características da crise é que os protagonistas não têm a capacidade de ver mais além de seu próprio mundo.
Segundo as projeções das Nações Unidas (UNCTAD, 2010), a economia chinesa superará a dos EUA dentro de dez anos. Poderá o norte do mundo parar de buscar bodes expiatórios, de fugir para frente? Começará, ao invés disso, a adotar, antes que seja tarde, políticas que respondam aos desafios dos novos tempos? Quem escreve este artículo não esta convencido de que assim seja.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O CRÍTICO VICENTE DE PERCIA INDICA;ACERVO ARTÍSTICO CULTURA DO GOVERNO DE SÃO PAULO

A exposição Panorama das Coleções reúne algumas das três mil e quinhentas
obras do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo de São Paulo e
contextualiza os espaços que as abrigaram, desde o primeiro palácio sede do
governo, o Pátio do Colégio – do século XIX à década de 1930, quando a
função administrativa desloca-se para o Palácio dos Campos Elíseos –,
chegando ao nosso tempo com os Palácios dos Bandeirantes, do Horto e Boa
Vista.

O critério de seleção de peças para esta exposição levou em conta a
formação das coleções, alguns ícones do acervo, obras e estilos artísticos
que caracterizam as coleções de cada palácio e a memória de fatos
históricos aos quais estão associadas.

Nesta exposição, busca-se mostrar ao público qual a natureza das coleções
de arte que habitam os ambientes dos Palácios do Governo de São Paulo, como
foram formadas, quando foram adquiridas, quais os períodos da História da
Arte aos quais estão ligadas e qual a importância que tiveram esses objetos
ao longo do tempo nos espaços domésticos desses palácios.

Esta exposição também se estenderá aos Palácios do Horto e Boa Vista - em
Campos de Jordão, e se encerrará no dia 29 de maio de 2011
.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ANGÚSTIA

Nas calçadas repletas de gente o isolamento.
Nesta noite a analogia do negrume
cobre os miolos e o ego.

Há pouco colocava Ketchup
e mostarda no cachorro quente,
tomava coca-cola.

Subidamente as mãos ficaram úmidas
debruçadas nos teus cabelos distantes,
desfalecendo no vazio
no silêncio precipitado que corrói: a cabeça, as artérias,
o estomago.

No reflexo somente a consciência
unia o chão a matéria.
Despia a alma duvidosa.
incendiando a inquisição...
Mostrando este poema louco,
vertiginoso,
sem sons,
atritante nos ossos.

Dissolvia o tempo para o último encontro,
apontando todos os fortíssimos erros;
impondo segundo a segundo
com golpes fundos
o prenúncio da derrota,
o mistério de chorar.
Vicente de Percia
- “Brasil da Silva: Mistério de Chorar, Edit/ Achiamé, Rio de Janeiro, 1ª edição 1982

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

PRECONCEITOS QUE DESAFIAM A ARTE- PARTE DO ENSAIO DO CRÍTICO VICENTE DE PERCIA


Um dos fatores que levam à distorção em relação à obra de arte é o preconceito motivado pelo “novo” e a indução às opiniões contraria a certas obras, principalmente por elas serem de agrado do grande publico. Existe uma irritabilidade por parte de alguns “intelectuais” de que quando o hermetismo está ausente e a informação é captada com facilidade ela não possua conteúdo preciso. Como se a arte não pudesse evoluir presa as linguagens de “fácil” compreensão. A razão disto está na rejeição aos chamados materiais, instrumentos e suportes tradicionais em função de outros mais modernos vindos com o desenvolvimento da tecnologia.
O artista iniciante na sua grande maioria busca o sucesso rápido e com isto não pretende em hipótese alguma passar por estágios necessários para compreender a extensão da arte e familiariza-se com seus múltiplos exercícios. Um dos fatores que proporciona esta postura são os processos subjetivos adotados atualmente inclusive pelo mercado. Nada mais cômodo que esquecer as qualidades e voltar-se para uma linguagem sem profundidade, descartável. Esta permissão surge mediante a um consentimento crítico que não desenvolve uma análise mais profunda acerca da tarefa artística, ora do momento em que há uma mostra, ou seja, o trabalho é exposto deve haver opiniões independes dos erros e acertos.
A criação, certamente utiliza-se de processos objetivo-subjetivo do artista e tem como fonte para o seu processo de linguagem além da ideia que complementa o pensamento um aprendizado e tentativas criativas que podem ser mais complexas. Cabe, pois avaliar coerentemente os estágios que possam trazer à tona tônicas que sirvam para avaliar a criação. Estas fases são múltiplas, intermináveis e fazem parte de um mergulho na busca e sedimentação de identidades que completem o avanço da qualidade e o embasamento estético visual.
Vicente de Percia