Ao longo do século XX houve uma tendência a abandonar a orquestra como meio privilegiado de expressão musical dos compositores do ocidente, juntamente com o esgotamento criativo das formas musicais tradicionalmente associadas à orquestra, especialmente a ópera, a sinfonia e o concerto e o poema sinfônico. Cada vez que os compositores do século XX voltaram à escrita orquestral e às sua formas tradicionais foi, normalmente, com o intuito de negar a tradição, subvertendo-a. Ressalvas importantes podem ser feitas para um significativo número de compositores que se manteve mais fiel à tradição do século XIX, como os classificados de nacionalistas e de neo-clássicos. Mas mesmo estes recriaram a tradição muito a seu modo, usando uma linguagem sinfônica peculiar pouco parecida com a dos compositores novecentistas, especialmente quanto à linguagem harmônica e às combinações de timbres, mesmo quando mantiveram o grupo orquestral em sua forma tradicional do fim do século XIX.
A tendência ao abandono da grande orquestra e de suas formas tradicionais pode ser comparada a uma crise geral do período que ficou conhecido como Belle époque. Muitos analistas afirmam que foram os artistas os primeiros a sentirem e expressarem esta crise do mundo burguês, que só ficou realmente patente com o estouro da 1ª Guerra Mundial em 1914. De qualquer modo, esta crise dos valores burgueses se fez sentir na escrita orquestral de várias formas. Ficou mais difícil juntar grandes orquestras, o que levou a uma tendência ao uso de pequenos grupos como na Sinfonia de Câmera ou no Pierrot Lunaire de Schoenberg.
A dificuldade em juntar grandes orquestras teve motivos econômicos, inclusive ligados à guerra e às crises que a sucederam. Mas teve muito mais motivos estéticos: a escrita orquestral foi se afastando do gosto do grande público por causa do abandono da discursividade melódica, da harmonia tonal e da regularidade rítmica pelos compositores. Sem a possibilidade de juntar grandes públicos ficou mais difícil financiar grandes orquestras. A própria restrição política imposta à música de vanguarda pelo nazismo e pelo stalinismo levou ao exílio dos compositores radicais e à dificuldade de montar suas obras. Se eles quisessem velas no palco, seria necessário apelar para grupos menores.
Por Roberto Savio, da Agência IPS Tradução Caue Seigne Ameni
Com a recente declaração da chanceler alemã Angela Merkel, sobre o fracasso do modelo multicultural na Alemanha, completam-se os sinais de uma onda xenofóbica na Europa. Segundo as pesquisas, se um partido xenofóbico disputasse hoje as eleições alemãs, obteria cerca de 15% dos votos. Mesmo países mais tolerantes, como Holanda ou Suécia, vêm demostrando nos últimos casos, um governo condicionado por partidos que pedem a expulsão dos estrangeiros e o retorno a uma nação pura e homogênea.
Segundo o Fundo de Populações da ONU (2009), a Europa deveria acolher até 2015 pelo menos 20 milhões de imigrantes para seguir sendo competitiva em plano mundial. O envelhecimento da população europeia vem crescendo rapidamente e pela primeira vez os maiores de 50 anos superam os menores de 18. Por este motivo, o sistema de Previdência Social está fadado a sofrer uma forte crise estrutural, se não houver trabalhadores suficientes para pagar as contribuições correspondentes.
Nenhum governo buscou implantar uma política educacional para conscientizar seus cidadãos da importância dos imigrantes para o desenvolvimento nacional. Permitiu-se que se propagassem mitos como a perda de postos de trabalho por parte dos europeus; ou o suposto perigo representado pelos estrangeiros para a ordem pública. Hoje, cerca de 70% das novas empresas são resultado da iniciativa de imigrantes (OCDE, 2009) e somente 1% deles estão envolvidos em atividades criminosas (embora representem uma parte importante da população carceraria).
Se levarmos em conta a condição da Europa como potência econômica, os dados são ainda piores. A balança de pagamentos vem se desequilibrando cada vez mais. Com exceção da Alemanha, os países europeus estão perdendo progressivamente quotas do mercado mundial. Segundo as projeções, se a União Europeia não reverter as tendências atuais, seu PIB será provavelmente superado pela China já em 2015.
Estes dados não chegam aos cidadãos comuns, mas a perda de credibilidade nas instituições europeias é real, assim como um crescente desencanto com as instituições políticas. A pesquisa “Eurobarômetro” de 2010 indica que apenas 52% dos cidadãos estão dispostos a votar.
A mesma situação, embora com sintomas diferentes, apresenta-se nos EUA. A crise financeira, a desocupação, a perda da casa própria por milhões de pessoas, a impossibilidade de aposentar-se e a necessidade de continuar trabalhando para sobreviver, o aumento da pobreza, que alcança um norte-americano em cada dez, o corte de serviços públicos (incluindo educação e infraestruturas estatais) produziram um resultado desconcertante. O percentual de aprovação ao governo de Barack Obama caiu a 43%; e 49% dos entrevistados pela CNN declararam preferir George W. Bush.
As eleições de novembro registraram um forte retrocesso do Partido Democrata, o que tornará ainda mais difícil a segunda metade do governo de Obama. Isso ocorre apesar de o presidente ter feito uma reforma quase completa do sistema de saúde, uma mudança pequena no ensino e ajustes tímidos no sistema financeiro.
Estamos também aqui diante a uma fuga para frente, outra aspirina contra uma doença grave. No caso estadunidense, além dos fatores internos, há a constatação de que esta superpotência vem perdendo a capacidade de cumprir seu “destino manifesto” — segundo o qual seria um país diferente dos demais e estaria destinada, pela universalidade de seu sistema de valores, a governar o mundo.
O Tea Party, um movimento ultraconservador em pleno crescimento nos EUA, é composto por duas grandes vertentes. Uma, quer reduzir o governo à minima expressão. Considera Obama um perigoso socialista, que converterá o país auma segunda Europa. Para evitá-lo, procura cortar ao máximo os impostos e dar liberdade total ao cidadão. A segunda ala crê que a decadência estadunidense deve-se a uma conspiração internacional; e julga que é hora de retomar a posição e de tirar de cena intelectuais ineficientes como Obama.
Esta marcha da Europa e EUA rumo a uma situação de deriva ocorre enquanto China, Índia e Brasil e diversos outros países emergentes – da Indonésia à Malásia; da Coréia à Argentina – marcham num ritmo de crescimento econômico muito superior. Uma das características da crise é que os protagonistas não têm a capacidade de ver mais além de seu próprio mundo.
Segundo as projeções das Nações Unidas (UNCTAD, 2010), a economia chinesa superará a dos EUA dentro de dez anos. Poderá o norte do mundo parar de buscar bodes expiatórios, de fugir para frente? Começará, ao invés disso, a adotar, antes que seja tarde, políticas que respondam aos desafios dos novos tempos? Quem escreve este artículo não esta convencido de que assim seja.
A exposição Panorama das Coleções reúne algumas das três mil e quinhentas
obras do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo de São Paulo e
contextualiza os espaços que as abrigaram, desde o primeiro palácio sede do
governo, o Pátio do Colégio – do século XIX à década de 1930, quando a
função administrativa desloca-se para o Palácio dos Campos Elíseos –,
chegando ao nosso tempo com os Palácios dos Bandeirantes, do Horto e Boa
Vista.O critério de seleção de peças para esta exposição levou em conta a
formação das coleções, alguns ícones do acervo, obras e estilos artísticos
que caracterizam as coleções de cada palácio e a memória de fatos
históricos aos quais estão associadas.Nesta exposição, busca-se mostrar ao público qual a natureza das coleções
de arte que habitam os ambientes dos Palácios do Governo de São Paulo, como
foram formadas, quando foram adquiridas, quais os períodos da História da
Arte aos quais estão ligadas e qual a importância que tiveram esses objetos
ao longo do tempo nos espaços domésticos desses palácios.Esta exposição também se estenderá aos Palácios do Horto e Boa Vista - em
Campos de Jordão, e se encerrará no dia 29 de maio de 2011.
Nas calçadas repletas de gente o isolamento.
Nesta noite a analogia do negrume
cobre os miolos e o ego.
Há pouco colocava Ketchup
e mostarda no cachorro quente,
tomava coca-cola.
Subidamente as mãos ficaram úmidas
debruçadas nos teus cabelos distantes,
desfalecendo no vazio
no silêncio precipitado que corrói: a cabeça, as artérias,
o estomago.
No reflexo somente a consciência
unia o chão a matéria.
Despia a alma duvidosa.
incendiando a inquisição...
Mostrando este poema louco,
vertiginoso,
sem sons,
atritante nos ossos.
Dissolvia o tempo para o último encontro,
apontando todos os fortíssimos erros;
impondo segundo a segundo
com golpes fundos
o prenúncio da derrota,
o mistério de chorar.
Vicente de Percia- “Brasil da Silva: Mistério de Chorar, Edit/ Achiamé, Rio de Janeiro, 1ª edição 1982
Um dos fatores que levam à distorção em relação à obra de arte é o preconceito motivado pelo “novo” e a indução às opiniões contraria a certas obras, principalmente por elas serem de agrado do grande publico. Existe uma irritabilidade por parte de alguns “intelectuais” de que quando o hermetismo está ausente e a informação é captada com facilidade ela não possua conteúdo preciso. Como se a arte não pudesse evoluir presa as linguagens de “fácil” compreensão. A razão disto está na rejeição aos chamados materiais, instrumentos e suportes tradicionais em função de outros mais modernos vindos com o desenvolvimento da tecnologia.
O artista iniciante na sua grande maioria busca o sucesso rápido e com isto não pretende em hipótese alguma passar por estágios necessários para compreender a extensão da arte e familiariza-se com seus múltiplos exercícios. Um dos fatores que proporciona esta postura são os processos subjetivos adotados atualmente inclusive pelo mercado. Nada mais cômodo que esquecer as qualidades e voltar-se para uma linguagem sem profundidade, descartável. Esta permissão surge mediante a um consentimento crítico que não desenvolve uma análise mais profunda acerca da tarefa artística, ora do momento em que há uma mostra, ou seja, o trabalho é exposto deve haver opiniões independes dos erros e acertos.
A criação, certamente utiliza-se de processos objetivo-subjetivo do artista e tem como fonte para o seu processo de linguagem além da ideia que complementa o pensamento um aprendizado e tentativas criativas que podem ser mais complexas. Cabe, pois avaliar coerentemente os estágios que possam trazer à tona tônicas que sirvam para avaliar a criação. Estas fases são múltiplas, intermináveis e fazem parte de um mergulho na busca e sedimentação de identidades que completem o avanço da qualidade e o embasamento estético visual.Vicente de Percia

Por Muniz Sodré
Em sua coluna semanal (O Globo, 22/9), o poeta e ensaísta Francisco Bosco vale-se da hipótese da "compulsão à emissão", formulada pelo crítico alemão Christoph Türcke, para falar do horror ao vazio que assaltaria a sociedade contemporânea, levando-a a manter-se ocupada o tempo todo em torno de e-mails, Facebook, Orkut, Twitter etc. Aliás, daí surge aos poucos uma curiosa linguagem: o verbo "tuitar", por exemplo. Até mesmo Barack Obama, dizem, tuíta. O comentário da coluna coincidiu com a notícia, no mesmo dia, do ataque de hackers ao Twitter. Segundo a imprensa, durante horas uma enxurrada de mensagens se espalhou pelo Twitter com piadas, pornografia e vermes. Até então se falava de vírus, mas estes, ao que consta, são programas com um número adequado de instruções transgressivas. O verme é uma inovação em matéria de software transgressor, uma vez que realiza com poucos signos a sua tarefa de violação do campo comunicativo alheio. E mais: o verme desencadearia por "conta própria" efeitos suplementares, atinentes à lógica interna da máquina e de sua linguagem. Estes dois tópicos, se bem examinados, podem lançar alguma luz sobre as relações entre a atualidade política e o espaço público brasileiro, no quadro das discussões sobre mídia e opinião pública. A primeira coisa a se sublinhar é que o desenvolvimento das democráticas ferramentas de comunicação – dentro da dinâmica de convergência entre as telecomunicações, a informática e o audiovisual – em nada democratizou a natureza oligopolística do império transnacional das tecnologias de informação e comunicação. Cerca de uma dezena de gigantes da multimídia controlam em torno de 90% dos mercados midiáticos mundiais, em termos de equipamentos, redes e conteúdos. A hipótese de mediações culturais Isso não é nenhuma novidade. Em torno dessa realidade oligopolística, giraram ao longo do último terço do século passado as críticas dirigidas pelos "pós-modernistas" à mídia ou ao que se vem chamando de "sociedade do espetáculo". Este prisma analítico, popularizado no meio acadêmico pelo teórico francês Guy Debord, é matéria corrente em teses, conferências e livros.
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Movido pelas concepções frankfurtianas no sentido de uma sociedade regida pela "administração total", Debord fez do espetáculo o conceito unificador de uma enorme variedade de fenômenos, sob a égide do turbo-capitalismo ou da sociedade de mercado global. De um lado, havia o momento histórico em que o consumo parecia atingir a ocupação total da vida social; de outro, a evidência da exploração psíquica do indivíduo pelo capital. O espetáculo impunha-se, assim como uma verdadeira relação social, em meio à qual emergia a imagem como uma espécie de forma final da mercadoria, reorientando as percepções e as sensações. Entretanto, com o desenvolvimento da comunicação eletrônica e o advento das chamadas "redes sociais" na internet, torna-se necessário revisar alguns aspectos dessa teoria do espetáculo porque esta supõe um espaço público unificado e "culturalizado" pela mídia. Não que tenha desaparecido o fascínio do espetáculo, que deu lugar, num determinado instante, a uma hierarquia classificatória da cultura (elitista, intermediária, popular) e à hipótese de mediações culturais.
Lote 96 - Tinta acrílica s/ tela, técica mista, 2010. "O Simbolismo Cósmico na obra de Vicente de Percia mostra a superabudância da realidade, trata-se de um expressionismo forte em um território que reitera a cosmogonia do Escritor,Crítico, Fotografo e artista plástico. O primeiro contato que tive com ele, foi Cayenne, na Guiana Francesa quando participávamos como jurados do" I- Reencontrée d' Art International Intercaraíbes, mostra que estendeu-se para sítios do Caríbe e Europa.O facto da sua selecção e de seus textos revelavam a interrelação das ciências voltadas para a especulação do senso- de- observação. Tinha então como parceira de tarefas a saudosa Andrée Locan. Perceber e deixar-se envolver pelo "real" é integra-se a questionamentos :"ce n'était pas gai d être jeune en ces temps-ci". porque continuamos a captar o prazer de sentir e avaliar o contexto do existencial. O maior desafio da arte actual está em saber preservar o individual, usando as antenas disponíveis e acreditando no racionar que busca verdade se com isso aceitar que se se nega a si é porque nada mais a a fazer. Toda esta reflexão foi feita em cima da tarefa desta obra fotográfica e no que ela traz como imagem mais ampla de um artista" Lisboa, Portugal, 2009. Art- Critic :Maria joão Machado